Cães da GCM (Guarda Civil Metropolitana), da divisão ROMU (Ronda Ostensiva Municipal), localizada no Jardim TV Morena, em Campo Grande, estariam sendo vítimas de graves maus-tratos, sem acesso a água, comida e até mesmo um local adequado. Segundo denúncia, pelo menos quatro cães estão em situação extrema.
Para o jornal TopMídiaNews, uma fonte que não quis se identificar disse que são dois cães da raça belga malinois e dois golden retriever. “Eles estão em magreza extrema. Os cães passam fome, tem privação de água e comida”, disse a denúncia.
O local onde os animais convivem estaria em condições insalubres e eles passam horas presos. “As baías do canil estão imundas. Eles ficam confinados 24h do dia, são minúsculas, escuras e fétidas”.
Ainda conforme a denúncia, a situação dos animais é “visível a olho nu”. Além disso, quando há alimentação, a ração é racionada para evitar que os animais façam necessidades fisiológicas e sujem o espaço.
“A situação é irracional. Eles chegaram ao ponto de racionar água aos animais, para evitar que os coitados fizessem xixi nas baías, para que eles não precisem lavar. A ração, quando tem, é a pior possível, dão racionada, porque preferem que os animais comam pouco. Essa restrição para eles é ‘normal’; causar sofrimento profundo a um animal para a GCM é normal”, disse.
Situação jogada para ‘baixo do tapete’
Uma denúncia junto à Decat (Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Atendimento ao Turista) já foi realizada, inclusive com informações repassadas ao próprio titular da delegacia, Reginaldo Salomão. Os responsáveis pelo canil, ao saberem da denúncia, tentaram ‘maquiar’ a situação.
“Lavaram os canis, colocaram água para os animais e compraram um pacote de ração ‘boa’ para os animais, para montar uma situação de inverdade em relação à denúncia. Estão forjando uma situação”, disse. “Chegaram ao ponto de arrumarem pacotes de rações vazias para deixarem empilhados no local, para mostrar que os cães têm ração e que nunca faltou alimento para eles”.
Uma visita da especializada foi marcada, mas nunca chegou a acontecer. Em vez disso, uma equipe da Subea compareceu ao local, e uma veterinária da pasta constatou que a magreza dos animais estava ‘compatível’ para as raças, mesmo sem realizar exame de sangue completo.
“A veterinária da Subea teve a capacidade de avaliar os animais e dizer que os cães estão normais. Os animais com gengivas brancas, pálidas, típicas de anemia profunda. Não tirou nenhuma amostra de sangue para exames, pois, com um perfil hemograma dos animais, comprovaria a anemia e debilidades. Toda situação foi maquiada, forjada para parecer que está tudo bem”.
Para a fonte, o sentimento é de revolta. “Muito bonito para a GCM de Campo Grande comparecer em eventos com os cães e fingir que está tudo bem com os mesmos. Enquanto isso, nos bastidores, esses pobres animais indefesos sofrem e padecem nas mãos desses mesmos seres que se dizem humanos, mas que não merecem nem ser chamados disso. Até agora não acreditamos que eles puderam fazer todo esse teatro para enganar”.
Além disso, o medo é que os cães venham a óbito por maus-tratos. “Esses cães clamam por ajuda, como podemos nos calar e ficarmos inertes diante de tamanha crueldade? Seremos coniventes? Ou salvaremos esses animais? Depois da atrocidade que aconteceu com o cão Orelha, em Santa Catarina, não podemos ficar calados com uma maldade dessas, que acontece aqui na nossa cidade”, finaliza.
Em nota, a Prefeitura de Campo Grande informou que "os cães são acompanhados por um médico veterinário que também é GCM, fazem treinamento e recebem banho no pet shop. O local limpo e coberto e todos os animais têm acompanhado com adestrador individual".








