Uma moradora de Campo Grande denuncia ter aguardado quase nove horas por atendimento médico para a filha de 15 anos na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Moreninha. Segundo ela, a adolescente apresentava sangramento na urina e só recebeu ajuda após a mãe gritar em meio à unidade de saúde.
De acordo com a mulher, ela chegou à unidade por volta das 7h30 da manhã para buscar o resultado de exames realizados na noite anterior e relatar o agravamento do quadro da filha. "Eu cheguei às sete e meia da manhã e só fui atendida porque fiz barraco. Comecei a gritar porque tinha gente desmaiando, idosos, cadeirantes, e ninguém era atendido", relatou.
Mensagens enviadas pela moradora durante a espera mostram o desespero diante da situação. Em um dos textos, ela afirma que havia três médicos na unidade, mas que os pacientes não recebiam atendimento nem explicações sobre a demora.
A mãe conta que o local estava lotado e que muitas pessoas aguardavam atendimento há horas. Segundo ela, havia pacientes passando mal, sem acesso a informações e sem previsão de quando seriam chamados. "Eu comecei a falar para o pessoal abrir a boca. Tinha gente passando mal, desmaiando, e ninguém resolvia nada. Falei: cadê os médicos? Foram só bater ponto e dormir?", recorda.
Ela afirma que, após os protestos, a situação mudou rapidamente. Segundo a mulher, o salão começou a esvaziar porque as pessoas na sua frente foram sendo atendidas.
Apesar das críticas ao atendimento inicial, a mulher elogiou a médica que atendeu a adolescente. "Deus foi tão bom que a médica que pegou minha filha foi maravilhosa. O problema não foi ela. O problema foi todo o resto, a demora e o descaso que a gente viu ali."
Para a moradora, a experiência deixou uma sensação de abandono por parte do serviço público de saúde. "Hoje, se você não tiver voz ativa, não consegue resolver nada. É só na base do grito. Quando a gente reclama, chamam a gente de barraqueira. Mas ficar quieta não resolveu. Só depois que eu gritei que minha filha foi atendida."
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para comentar a denúncia e aguarda posicionamento.







