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Campo Grande

09/04/2026 17:00

Empresa 'caloteira' segue sem pagar funcionários, mesmo recebendo R$ 34 milhões da prefeitura

Por meio de nota, a empresa afirmou que segue todos os padrões de um contrato CLT

Mesmo negando os atrasos e problemas mencionados por mais de 200 funcionários, a empresa Produserv Serviços continua sem realizar os pagamentos e o depósito dos empréstimos consignados feitos pelos trabalhadores.

Novos relatos, encaminhados para o TopMídiaNews, mostram a revolta dos servidores, que alegam estar sendo passados para trás. “Tudo está atrasado: férias, salário. Nosso nome continua sujo por causa do empréstimo. Já passou o 5° dia útil e ninguém recebeu. Além disso, eles não estão dando satisfação de nada”, disse uma trabalhadora.

De uma trabalhadora, está sendo descontado mensalmente R$ 471,94. Por conta do atraso no pagamento do banco, os contratantes do empréstimo passaram a receber ligações de cobranças quase que diárias.

O outro problema, que eles classificaram como ‘situação análoga à escravidão’, é a falta de férias. Em alguns casos, funcionários com mais de 6 anos de casa tiraram apenas dois descansos anuais.

A revolta é ainda maior, porque a empresa recebe mensalmente mais de R$ 2 milhões da prefeitura municipal de Campo Grande. A empresa tem sede em Curitiba (PR), mas atua na capital sul-mato-grossense como prestadora de serviços de limpeza para a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), tendo mais de 400 trabalhadores contratados. O contrato com a prefeitura foi firmado no dia 1° de abril de 2020 e, desde então, tem sido renovado.

“Eles mandaram a gente embora, por conta da licitação. Eles não pagam nosso empréstimo, mas descontam da gente. Nós não temos férias, no meu caso, por exemplo, já faz mais de 2 anos e 10 meses sem férias. Além disso, estamos com muito medo de eles não fazerem nosso acerto”, detalhou.

Contrato milionário com a prefeitura

Em abril de 2020, a Produserv e o Executivo Municipal celebraram, por meio da Sesau, um contrato de R$ 17.198.823,12 para prestação de serviços de limpeza, conservação e higienização nas unidades de saúde, centros de referência e áreas administrativas da Secretaria Municipal de Saúde, incluindo a lavagem interna e externa de viaturas de transporte de pacientes, bem como serviço de controle de vetores e pragas urbanas.

Com o passar dos anos, os valores foram sendo reajustados. Na última manutenção do contrato, realizada em março de 2025 para que os trabalhos fossem executados até 1° de abril de 2026, o valor global do contrato já era de R$ 34.471.062,93.

“O pior é que, enquanto não estamos tendo o básico, eles continuam recebendo dinheiro da prefeitura e praticamente nos roubando. Alguns começaram a ser mandados embora e estão aproveitando a oportunidade para procurar algo melhor”, finaliza.

Por meio de nota, a empresa afirmou que segue todos os padrões de um contrato CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) com seus colaboradores. Confira na íntegra:

"A empresa informa que cumpre fielmente todas as obrigações trabalhistas relativas aos seus colaboradores, em estrita observância ao disposto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), bem como às Convenções Coletivas de Trabalho aplicáveis a cada categoria, realizando os pagamentos e demais encargos de forma tempestiva, dentro dos prazos legalmente estabelecidos.

Ademais, cumpre destacar que não há, até o presente momento, qualquer registro de descumprimento contratual perante o ente contratante."

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