Ilceni Borcat Kunz, de 61 anos, aguarda há 14 dias por uma vistoria da Defesa Civil em seu apartamento, que pegou fogo no dia 20 de outubro. O acidente aconteceu devido a uma falha elétrica no Residencial Leonel Brizola II, localizado no bairro Jardim Leblon, em Campo Grande (MS).
Segundo a idosa, o incêndio teve início após um dia tranquilo, já no final da tarde do dia 20, quando retornou com os dois netos para casa, após buscá-los na creche. Conforme conta Ilceni, o problema começou quando o disjuntor da casa sofreu uma queda e a energia da residência caiu. Após ligá-lo novamente, uma das crianças teria gritado pela avó do quarto, afirmando que havia uma mancha escura na parede e um forte cheiro dentro do cômodo.
"Eu voltei pra cozinha e os meninos estavam no quarto, e aí o meu neto me chamou falando que tinha uma mancha escura na parede. Quando eu vi, eu falei pra eles saírem, que era tóxico, e consegui puxar um deles para o corredor, e eu já ouvi o barulho do curto-circuito. Eu tinha lavado roupa naquele dia, e tinham muitas cobertas e lençóis pendurados na porta deles. O meu outro neto, com medo, entrou embaixo da triliche, e eu entrei no quarto atrás dele, e enfiei a mão embaixo da cama no escuro mesmo, e puxei ele pra fora. Sem perceber que tinha queimado a minha testa e o meu cabelo".
Segundo a idosa, após conseguir tirar as duas crianças do quarto, ela correu para fora do apartamento e passou a pedir socorro pela janela do corredor, uma vez que seus dois cachorros e um gato ainda estavam presos no apartamento. Equipes do Corpo de Bombeiros foram chamadas ao local e conseguiram realizar o resgate dos animais em segurança.
Ilceni explicou que foi instruída pelas equipes do Corpo de Bombeiros a realizar um pedido de vistoria para a Defesa Civil depois que o apartamento esfriasse das chamas. Devido à quantidade de tecidos espalhados pela casa, todos os cômodos pegaram fogo e os móveis da residência foram completamente destruídos. Sem ter para onde ir, Ilceni, seus dois netos e seu filho, que estava no trabalho no momento do acidente, passaram a dividir um quarto na casa da filha da idosa.
"Estamos agora na casa da minha filha, que é casada, mas meu neto, filho dela, faz tratamento para esquizofrenia, e lá só tem um quarto e estamos todos dividindo. Incluindo meus dois netos e o pai deles, meu filho, que mora com a gente e cria os meninos comigo. Todas as noites as crianças me perguntam quando que vamos poder voltar pra nossa casa".
Segundo Ilceni, no dia seguinte ao incêndio, ela realizou o boletim de ocorrência e foi instruída a realizar o pedido de vistoria da Defesa Civil por telefone. Ela teria sido informada, durante a ligação, de que seria necessário apenas aguardar, pois o pedido já havia sido realizado. Após dois dias de espera, nenhuma equipe foi ao local, e Ilceni descobriu que deveria ir presencialmente a uma unidade do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) para solicitar a vistoria.
"Até hoje ninguém do Cras veio me visitar. No momento, minha emergência é um lugar para morar ou pelo menos ajuda de aluguel social, se tenho direito a ele. Eu preciso de ajuda para conseguir reconstruir a minha casa, mas, para isso, eu preciso saber se posso entrar sem que as paredes caiam na minha família".
Segundo Ilceni, há anos ela faz tratamento para depressão e fibromialgia e, por não conseguir trabalhar, cuida dos netos enquanto o filho trabalha. Segundo ela, a família não tem condições de repor tudo o que perdeu, nem de reformar o apartamento. Por isso, pede ajuda para conseguir recomeçar a vida. A família aceita doações de móveis, tintas e materiais de construção, como portas, rejunte, pisos, etc. A família pede que interessados em ajudar entrem em contato pelo número (67) 99122-5459.
A redação entrou em contato com a Defesa Civil para saber qual a previsão da vistoria e com a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) para saber como Ilceni e demais pessoas em situação de vulnerabilidade podem ter acesso ao aluguel social. Até a publicação desta matéria, nenhuma resposta havia sido dada.









