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Campo Grande

há 3 semanas

Farmácia está abastecida no papel, mas prateleiras ficam vazias nas UPAs de Campo Grande

Conselho Municipal de Saúde e Defensoria Pública apontam falta de medicamentos nas unidades

Enquanto a Prefeitura de Campo Grande afirma que a rede municipal de saúde está com a farmácia abastecida, pacientes continuam deixando as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) de mãos vazias, mesmo com receita médica. A divergência entre os dados divulgados no Portal da Transparência e a realidade encontrada nas prateleiras das unidades tem gerado preocupação entre órgãos de controle e aumentado a judicialização na saúde pública.

Relatos de falta de medicamentos são recorrentes nas UPAs da Capital. Na prática, usuários afirmam que recebem a prescrição, mas são orientados a comprar os remédios na rede privada por ausência de estoque, cenário que contraria as informações oficiais de abastecimento.

O Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande afirma que acompanha a situação com “muita preocupação” e contesta o discurso da gestão municipal. Segundo o órgão, além das denúncias recebidas diariamente, visitas institucionais realizadas pela Mesa Diretora às UPAs confirmaram a ausência de medicamentos básicos.

Entre os itens em falta estão o ácido tranexâmico, utilizado no controle de hemorragias; morfina, essencial no manejo da dor; anti-inflamatórios como ibuprofeno; antibióticos de uso imediato, como ceftriaxona; e anti-hipertensivos, a exemplo da losartana.

De acordo com o Conselho, a ausência desses medicamentos compromete diretamente a resolutividade do atendimento, expõe pacientes a riscos evitáveis e coloca os profissionais de saúde em situação ética delicada. “O médico prescreve o que é clinicamente necessário, mas a rede não garante o fornecimento. Isso acaba transferindo ao usuário a responsabilidade de custear o tratamento”, pontua a entidade.

O Conselho destaca ainda que grande parte da população atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não tem condições financeiras de comprar medicamentos, o que fere princípios básicos do sistema, como universalidade, integralidade e equidade, além de contribuir para o agravamento de quadros clínicos e a sobrecarga da rede hospitalar.

A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul também alerta para um cenário grave e classifica a situação da saúde pública em Campo Grande como de “iminente colapso”. Segundo a coordenadora do NAS (Núcleo de Atenção à Saúde), defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, há desabastecimento generalizado tanto na atenção básica quanto nos serviços de urgência e emergência.

“O aumento expressivo na procura por medicamentos básicos, que não são de alto custo, mostra que a rede pública não está conseguindo atender às demandas essenciais da população. UPAs e Centros Regionais de Saúde estão completamente desabastecidos de insumos, medicamentos e materiais necessários para a assistência”, afirmou.

Outro ponto considerado crítico pela Defensoria envolve o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Conforme denúncias recebidas e verificações iniciais do NAS, o município não teria estoque de adrenalina para o período de fim de ano, medicamento indispensável em ocorrências graves, como paradas cardíacas e choques anafiláticos.

“A falta desse insumo é extremamente preocupante, sobretudo em um período com aumento de casos de infarto. Isso indica risco de mortes evitáveis. Toda a população está vulnerável”, alertou a defensora.

Diante da gravidade, a Defensoria Pública expediu ofício à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e aos órgãos de vigilância, concedendo prazo de 24 horas para apresentação de informações sobre o planejamento de enfrentamento ao desabastecimento e eventual plano de contingência.

A instituição instaurou procedimento administrativo para acompanhar o caso e não descarta medidas judiciais. “Caso não haja resposta ou o que for apresentado não seja minimamente aceitável, a Defensoria irá avaliar medidas jurídicas emergenciais, inclusive acionando o Ministério Público”, explicou Eni.

Segundo a Defensoria, o reflexo do desabastecimento já é sentido na rede hospitalar, com aumento da taxa de ocupação. “Quando a atenção básica não funciona, o sistema inteiro sofre. É isso que estamos constatando”, concluiu.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde para comentar a divergência entre os dados oficiais de estoque e as denúncias de falta de medicamentos nas UPAs, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

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