Um servidor da GCM (Guarda Civil Metropolitana) de Campo Grande teria sido tratado com deboche durante duas perícias médicas realizadas pela SEMADI (Secretaria Municipal de Administração e Inovação), o que resultou em sua aposentadoria novamente.
O servidor afirma que havia sido aposentado anteriormente e passou anos tentando retornar ao trabalho. Em 2025, após recorrer à Justiça, conseguiu a reversão da aposentadoria e voltou às atividades na Guarda. Segundo ele, permaneceu trabalhando por cerca de nove meses.
Em abril deste ano, após enfrentar problemas de saúde, procurou atendimento médico e recebeu recomendação para ficar afastado por 90 dias para tratamento. O documento foi entregue ao setor de recursos humanos, que encaminhou o servidor para perícia na SEMADI.
Segundo o relato, durante a primeira avaliação, os peritos questionaram o fato de ele ter conseguido reverter a aposentadoria e, ao longo da consulta, fizeram comentários que o servidor considerou ofensivos.
Entre as frases que afirma ter ouvido estão: "Se você não consegue ficar trabalhando, deve retornar à aposentadoria" e "se você tem burnout, deve ser aposentado".
O servidor também relata que uma das peritas teria dito que ele estaria "fazendo de conta" que estava em tratamento. "Ainda precisei ouvir que era tudo fingimento. Que estava 'fazendo de conta'. Como se algo desse tipo não fosse grave", detalha.
O pedido de afastamento por 90 dias foi negado. Conforme o servidor, foram concedidos somente os dias correspondentes ao período de espera pela perícia, com determinação para que retornasse ao trabalho no dia seguinte.
Nova perícia
Após a negativa, o servidor procurou novamente o médico que o acompanhava e relatou o que havia ocorrido. O profissional, segundo ele, manteve a recomendação de afastamento por 90 dias e apresentou um novo laudo, com mais informações sobre o quadro.
Uma segunda perícia foi então marcada na SEMADI.
O servidor afirma que novamente se sentiu humilhado durante a avaliação. Segundo ele, uma das profissionais que participou da primeira perícia também estava presente na segunda.
Desta vez, além de não conseguir o afastamento solicitado, ele foi encaminhado para uma perícia de aposentadoria no IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande).
Posteriormente, a junta médica confirmou o retorno do servidor à aposentadoria. Para o guarda, a decisão causa questionamentos porque, segundo ele, os próprios documentos das perícias realizadas na SEMADI apontavam a condição de saúde como transitória.
Ele afirma ainda que não teve a oportunidade de permanecer afastado durante o período indicado pelo médico para verificar a resposta ao tratamento.
Possível impedimento
O servidor também questiona a atuação da junta médica do IMPCG. Segundo ele, os profissionais que participaram da avaliação estariam relacionados ao processo judicial que discute sua aposentadoria anterior.
O guarda diz ainda que comunicou o gestor da SEMADI sobre a forma como teria sido tratado durante as perícias. Segundo ele, recebeu como resposta que cada médico seria responsável pela própria atuação profissional e que o gestor não poderia interferir na avaliação.
"Fui buscar ajuda médica e acabei sendo prejudicado", afirmou.
O servidor também diz que pretende retornar ao trabalho e que a reversão da aposentadoria havia sido uma conquista depois de anos de tentativas administrativas e judiciais.
Reclamações da categoria
A denúncia ocorre em meio a uma série de reclamações de integrantes da Guarda Civil Metropolitana sobre questões trabalhistas e condições de trabalho.
Na semana passada, guardas municipais realizaram uma manifestação em Campo Grande para cobrar da Prefeitura o cumprimento de decisões judiciais e reivindicar direitos da categoria.
Entre os pedidos estava o pagamento do adicional de periculosidade. Segundo o sindicato da categoria, existe uma decisão judicial relacionada ao benefício e uma comissão chegou a ser criada para discutir o percentual, mas os trabalhos não teriam avançado dentro do prazo estabelecido.
Os servidores também cobram valores retroativos relacionados à promoção de inspetores e questionam o valor do auxílio-alimentação.
Outra reclamação envolve a estrutura de trabalho. Guardas já relataram problemas com uniformes, equipamentos de proteção e condições das bases.
Em uma denúncia anterior, servidores afirmaram que parte dos coletes balísticos utilizados em treinamentos estava vencida. Também houve relatos de agentes que precisaram comprar peças de uniforme com recursos próprios.
A categoria ainda denunciou dificuldades relacionadas à manutenção de algumas unidades e ao uso de equipamentos particulares para atividades de serviço.
O que diz a prefeitura?
Diante da denuncia, a reportagem procurou a prefeitura para comentar sobre o assunto, mas até a publicação desta matéria não teve retorno.
O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura, da SEMADI e do IMPCG.








