Maria Eduarda Cavalheiro decidiu tornar público o abuso sexual que sofreu durante a infância para incentivar outras vítimas a denunciarem seus agressores. Ela afirma ter sido abusada pelo próprio pai dos 5 até os 12 anos, em Campo Grande.
Segundo o relato da jovem, os abusos aconteciam de forma recorrente e eram acompanhados de manipulações e ameaças. Por ser criança e manter um forte vínculo com o pai, ela afirma que demorou a compreender completamente a gravidade do que estava acontecendo.
“Como alguém que tinha o papel de me proteger do mal faria algo ruim contra mim? Eu era uma criança. Eu só era uma criança”, relatou.
O medo de denunciar também era alimentado pelas ameaças, segundo ela. O pai dizia que poderia ser preso ou morto caso alguém descobrisse o que acontecia, além de questionar o afeto da filha.
Aos 12 anos, a jovem finalmente contou o que acontecia a uma amiga da escola. Orientada pela colega, decidiu contar à mãe. Ela estava sozinha em casa quando ligou para a mãe e revelou os abusos.
A mãe deixou o trabalho imediatamente e foi buscar a filha antes que o homem retornasse para casa. Depois que descobriu que havia sido denunciado, segundo a jovem, o pai deixou Campo Grande e foi para Cuiabá.
Durante os cinco anos seguintes à denúncia, conforme o relato da vítima, ele mudou de endereço e não respondeu às intimações da Justiça. Posteriormente, teve a prisão preventiva decretada e acabou preso.
‘Fale, grite, denuncie’
Atualmente, ela faz acompanhamento com psicólogo e psiquiatra e conta que ainda enfrenta dificuldades para confiar em homens por causa dos traumas deixados pela violência.
Mesmo diante das marcas deixadas pelo abuso, decidiu falar publicamente sobre o caso com um objetivo específico: incentivar outras vítimas a procurarem ajuda e denunciarem. “Se você passa por isso, você não está sozinho ou sozinha. Fale, grite, denuncie”, afirmou.
Para ela, expor a própria história é também uma forma de alertar sobre situações de violência sexual que podem permanecer escondidas dentro das próprias famílias. “Por mais doloroso que seja, dê o seu relato. É importante que eles paguem pelo que fizeram”, disse.







