Depois de passar três dias indo até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário com a filha de 3 anos, por falta de ar, Daniele Da Mota Sousa, de 26 anos, retirou em casa um pedaço de algodão que estava dentro do nariz da menina.
Segundo o relato da mãe, apesar de a menina apresentar sintomas gripais, falta de ar e uma das narinas completamente obstruída, o problema teria sido tratado apenas como sinusite, sem que a hipótese de um corpo estranho fosse investigada.
De acordo com Daniele, o primeiro atendimento ocorreu no dia 8 de julho, quando a criança recebeu medicação para aliviar os sintomas respiratórios e foi liberada para casa. Com o agravamento do quadro, incluindo febre alta, secreção intensa, cansaço e dificuldade para respirar, a criança precisou retornar à UPA, chegando a ser encaminhada para a ala vermelha devido à gravidade dos sintomas.
"Ela chegou na ala vermelha por causa da falta de ar, da febre alta e porque estava molinha. Depois tiraram ela de lá", conta a mãe.
Mesmo após novas consultas, a criança continuou sendo diagnosticada com sinusite e recebeu antibióticos e outros medicamentos. A mãe insistiu que algo estava errado, já que a lavagem nasal eliminava secreção por apenas uma das narinas.
"Eu falei para o médico que aquilo estava estranho, eu lavava o nariz dela e não saía nada do outro lado, e ele respondeu que era porque estava fechado por causa da sinusite", lembra.
Segundo Daniele, a filha passou por três médicos e, em todos os atendimentos, ninguém identificou a presença do algodão ali.
Sem melhora e já desconfiada de que havia algo além da gripe, a mãe decidiu verificar o nariz da filha em casa, encontrando o algodão.
"Depois que eu tirei, saiu bastante sangue, bastante mesmo. Mas ela melhorou a respiração. Minha filha voltou a andar, porque ela só dormia e ficava abatida", disse.
Para Daniele, a filha estava sim com um quadro gripal, mas considera que a obstrução nasal deveria ter sido investigada pelos profissionais de saúde.
"Ela passou por três médicos e ninguém viu. O que eu questiono não é o tratamento da gripe. O que eu questiono é que ninguém investigou por que uma narina estava totalmente obstruída. Se tivessem pedido um raio-X da face, talvez tivessem visto que tinha um corpo estranho ali", aponta.
Em nota, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) se recusou a comentar o caso. Veja:
A Secretaria Municipal de Saúde informa que, em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e ao princípio constitucional da inviolabilidade da intimidade e da vida privada, não fornece informações individualizadas sobre pacientes à imprensa ou a terceiros, ainda que de forma indireta. As informações são repassadas exclusivamente ao próprio paciente ou ao seu responsável legal, por meios seguros e dentro dos critérios legais vigentes.
As Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) integram a Rede de Atenção às Urgências e têm como finalidade prestar atendimento resolutivo aos casos agudos de complexidade intermediária, conforme as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde. O atendimento é realizado com base na avaliação clínica individualizada e na Classificação de Risco, sendo a definição da conduta assistencial fundamentada nos sinais, sintomas, exame físico e demais elementos clínicos identificados no momento da assistência, podendo incluir observação clínica, realização dos exames compatíveis com a capacidade operacional da unidade, tratamento imediato ou encaminhamento regulado para outros pontos da Rede de Atenção à Saúde, quando indicado. Considerando que a evolução clínica é dinâmica e pode sofrer modificações após a avaliação inicial, a Secretaria Municipal de Saúde orienta que, diante da persistência, agravamento ou surgimento de novos sinais e sintomas, o paciente retorne imediatamente à unidade de saúde ou procure outro serviço de urgência para reavaliação médica. A Sesau permanece à disposição para apurar eventuais situações assistenciais específicas por meio dos canais institucionais competentes, observando o devido processo administrativo e preservando integralmente a privacidade da paciente e de seus familiares.








