Pais e responsáveis de alunos do distrito de Anhanduí, em Campo Grande, manifestam preocupação após serem informados sobre a suspensão do ônibus escolar que transportava crianças até a escola da região. A medida, segundo moradores, afeta principalmente famílias que dependem do transporte público para garantir o acesso dos filhos à educação.
Renata, moradora do distrito há cinco anos, relata que tem dois filhos, de 11 e 3 anos, ambos com deficiência, que sempre utilizaram o ônibus escolar. Segundo ela, o transporte era essencial para que as crianças conseguissem frequentar as aulas com segurança.
“Tenho um filho autista e uma filha com deficiência intelectual. Sempre usamos esse ônibus. Agora fomos informados que ele não vai mais buscar nossas crianças. Estou indignada. Como essas crianças vão para a escola? Como vão atravessar a BR sozinhas?”, desabafa.
De acordo com a moradora, o ônibus vinha de uma fazenda próxima e, ao passar pelo distrito, pegava mais de 20 crianças em diferentes pontos do trajeto, prática que sempre ocorreu e nunca havia sido questionada. “Ele passava ali na esquina e levava todas as crianças. Não só as daqui, mas de pontos mais abaixo também. Isso sempre funcionou, nunca aconteceu de tirarem o ônibus”, afirma.
Renata relata que, no ano passado, a prefeitura chegou a anunciar a suspensão do transporte escolar, mas, após mobilização da comunidade, o serviço foi mantido. Neste ano, porém, a interrupção teria sido definitiva. Segundo ela, a justificativa apresentada é de que os alunos não teriam direito ao transporte por residirem a menos de três quilômetros da escola, argumento que a moradora contesta. Renata afirma que a distância entre sua casa e a unidade escolar ultrapassa os três quilômetros.
“Aqui onde eu moro dá cerca de 4 quilômetros. Tenho laudo do meu filho, que é autista, e ele precisa do ônibus e de acompanhamento. Mesmo assim, disseram que não vai ter mais”, relata.
A moradora diz estar desesperada com a situação, já que não tem condições de levar os filhos a pé diariamente.“Estou desesperada por ter que levar eles andando. Minha filha de 11 anos sempre usou esse ônibus. Em cinco anos morando aqui, nunca fizeram isso”, completa.
Pais temem que, sem o transporte escolar, muitas crianças deixem de frequentar a escola, especialmente aquelas cujas mães dependem do ônibus para conciliar trabalho e cuidados com os filhos.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para solicitar um posicionamento sobre a suspensão do transporte escolar, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.







