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Campo Grande

Sem ter com quem deixar filhos, mães da Cidade de Deus querem creche

13 abril 2016 - 19h03Por Anna Gomes

Mulheres que moravam na maior favela de Campo Grande, a Cidade de Deus, foram transferidas para outras regiões da cidade. O maior deles, o Bairro Vespasiano Martins, não conta com auxílio para quem precisa de apoio com os filhos. Por lá, mães reclamam que não conseguem vagas em um Ceinf (Centro de Educação Infantil) para suas crianças, motivo este que acaba impossibilitando as mulheres de saírem em busca de um emprego.

Muitas crianças residem com seus pais e parentes no Vespasiano Martins, o que as mães reclamam, é que bem em frente onde essas famílias foram transferidas existe uma obra de um Ceinf que está paralisada pela prefeitura. A construção está praticamente pronta, mas como ainda não foi inaugurada, as mulheres não conseguem trabalhar, pois não podem deixar seus filhos sozinhos em seus barracos.

Amanda Neli, 22 anos, morou na Cidade de Deus, por pelo menos três anos, após todo esse tempo ela conseguiu um terreno no Vespasiano Martins, mas morando apenas com os dois filhos, sendo uma menina de dois e um bebê de um ano, a jovem não consegue sair em busca de trabalho, pois não tem quem cuide de suas crianças.

"Temos uma creche bem em frente as nossas casas, mas a prefeitura não inaugura. A obra fica parada e eu também fico, pois não tenho parentes e ninguém próximo para ficar com meus filhos, ficamos assim, vivendo um dia de cada vez, vivemos de doações. Muitas pessoas acreditam que pode ser falta de vontade nossa não querer trabalhar, mas quem está do lado de fora, nunca sofreu isso que passamos na pele, é fácil reclamar. Quem sempre teve oportunidades na vida, é fácil criticar quem não teve", desabafou.

Petrucia Santos, 53, cuida da neta, uma criança de um ano para a filha ir trabalhar, mas apenas uma delas podem estar no serviço, já que tentaram vaga em creches da região, mas não conseguiram.

 Para a filha trabalhar, Petrucia precisa cuidar da neta. Foto: Anna Gomes

"Ou eu, ou ela trabalha, as duas não da certo pois a criança não tem com quem ficar. O pior de tudo isso, é a gente ter um Ceinf na porta de casa, mas as crianças não podem ficar lá", ressaltou.

O casal José Luiz, 30, e Patrícia Imacia, 36, tem dois filhos de cinco e quatro anos e ambos sonham com o Ceinf para melhorar a renda familiar. "Vamos ter onde deixar os filhos e assim, os dois, tanto eu como minha esposa vamos conseguir trabalhar e melhorar nossas condições", disse Luiz.

 Luiz diz que Ceinf ajudaria muito os pais das crianças. Foto: Anna Gomes

Patrícia Ximenes de 30 anos, também tem uma filha pequena e para a irmã trabalhar, a mulher cuida de um sobrinho, mas fica impossibilitada de trabalhar.

"Não da para conseguir um emprego sem esse Ceinf, não temos onde deixar nossos filhos, queremos muito que a obra termine logo".

Além de cuidar da filha, Partícia também cuida do sobrinho para a irmã. Foto: Anna Gomes

A equipe de reportagem entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Campo Grande, para verificar se o município já tem a previsão de quando a construção será entregue para a população. A assessoria de imprensa da prefeitura disse que 70% da obra está concluída, no entanto, ainda falta receber recursos federais para a conclusão. O município diz que talvez o Ceinf será entregue ainda neste ano.