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Sindicatos se unem e sinalizam greve geral em Campo Grande

06 abril 2016 - 17h01Por Amanda Amaral

Após declarar conceder o aumento salarial bem abaixo da expectativa dos servidores municipais, o prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP) recebe ainda mais pressão dos trabalhadores, que ameaçam uma greve geral em diversos setores públicos da Capital. Ontem (5) a Câmara Municipal rejeitou projeto que previa reajuste de 9,57% e, nesta quarta-feira (6), Bernal afirmou que poderá conceder apenas 2,79% de aumento.

A justificativa, explicada pelo Procurador Geral do Município, Denir de Souza, é que o período eleitoral proíbe de realizar reajuste de recomposição acima do ano do índice do ano em curso. “A Câmara não se atentou ao artigo 44 da Lei do município, que veda a apresentação do mesmo índice. Então agora terá que fazer conforme o índice atual que é de 2,79%”, afirmou.

Hoje pela tarde, na sede da ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), representantes de sete sindicatos se reuniram para discutir quais os próximos encaminhamentos perante a decisão, já que o resultado os frustrou ainda mais que o índice anteriormente proposto. As categorias ainda devem se reunir separadamente em assembleias próprias, mas admitem que são grandes as chances de se organizarem em uma greve única, unindo todos os trabalhadores.

Presidente do Sisem (Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande), Marcos Tabosa acusa Bernal de ‘encarnar uma mania de coitadinho’. “O prefeito está muito equivocado quando diz se basear na lei, ele brinca de se administrador. Quem quer greve? O Bernal quer greve”, disse.

“Essa porcentagem apresentada é uma invenção, calculada conforme beneficia o próprio prefeito. Oras, o IPCA é de 10,36%, aquele 9,57% já era abaixo disso. Já estávamos preparados para esse ‘mimimi’ do Bernal, mas não um índice tão absurdo como este”, declarou Ele ainda citou que a procuradoria geral do município está ‘confusa’, já que teria assinado um acordo junto à ACP concedendo o aumento pleiteado pela categoria, de 24% até o final deste mês.

O presidente da ACP, Lucílio Nobre, confirma a declaração e completa dizendo que tem dificuldades em entender as decisões do prefeito. “Estou há mais de 15 anos em projetos sindicais, nunca vi tanta falta de diálogo com um prefeito. O Bernal não se compromete em debater junto aos maiores interessados e, sendo desse jeito, vamos sempre rejeitar as propostas. Não estamos pedindo reajuste em função da diretoria, mas pela extensa categoria”, afirmou.

Ainda hoje, agentes comunitários da Capital se reúnem em assembleia para discutir a possibilidade de uma greve da classe. Outras categorias, entre elas da saúde, administrativos e da segurança, debaterão sobre o mesmo tema, também entre hoje e a próxima segunda-feira (11), quando a pauta vai ser discutida dentro da ACP, onde os professores definem se paralisam as aulas da Reme (Rede Municipal de Ensino).

Amanhã (7), os servidores se reúnem em frente à Prefeitura Municipal a partir das 9h30 da manhã, onde devem realizar uma macarronada e permanecem até o fim do dia. Segundo Tabosa, são esperados cerca de 500 manifestantes no local.

Impasse

Em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (6) o prefeito culpou os vereadores por não apresentarem uma emenda aditiva ao projeto enviado para o legislativo. A Câmara por sua vez, se queixou da demora e do conteúdo do texto enviado.

“A rejeição de ontem demonstra que o que estão fazendo é politicagem. A câmara poderia ter evitado isso, porque poderia ter feito uma emenda aditiva. Antevejo que essas eleições serão difíceis porque são pessoas que não estão preocupadas com o bem estar do povo”, explicou Bernal.

Na sessão de ontem, o vereador Eduardo Romero (Rede) chegou a afirmar que "o projeto é uma aberração matemática e está vindo de uma administração de ferro, que não discute com servidores”. Em meio à sessão, o presidente do Sisem pedia que o projeto não fosse votado da forma como havia sido enviado, afirmando que o texto não continha Bolsa Alimentação, adicionais de produtividade e insalubridade, além de outras garantias à categoria.

O secretário municipal de administração, Ricardo Ballock, tentou justificar afirmando que “o projeto foi feito com base em estudos e em discussões com todos os sindicatos e conforme toda essa análise levou a esse índice, um dos maiores do país”, declarou.

Com a possibilidade de lidar com uma greve geral durante o processo de reeleição, o prefeito tentou mostrar confiança, afirmando que “acredita que não terá greve”. “Espero que a população veja, não pretendo entrar com medida judicial, espero dialogar, esclarecer, acredito que não terá greve”.

O prefeito citou o presidente do Sisem, para exemplificar o que ele chamou de “tentativa de camuflar e manipular massa de manobra”. Com as eleições, novas negociações de reajuste só devem sair a partir de 2017.