A vereadora Luiza Ribeiro (PT) esteve presente no ato em prol de justiça para a jornalista Vanessa Ricarte, vítima de feminicídio, realizado na tarde desta quinta-feira (12), na frente do Fórum de Campo Grande. O crime, cometido há exatamente um ano, ainda não teve uma resolução concreta e segue em processo na Justiça.
Caio César Nascimento Pereira, ex-noivo e responsável pelo feminicídio da jornalista, passou por audiência no dia 9 de março de 2026, com a oitiva de uma vítima e o interrogatório do réu.
O processo está em andamento na 1ª Vara do Tribunal do Júri, conforme esclareceu o juiz titular, Carlos Alberto Garcete. Desde fevereiro de 2025, o processo teria passado por diversas etapas, previstas em lei, como apresentação de defesa, realização de audiências e análise de pedidos feitos pelas partes. Ao longo desse período, foram interpostos vários recursos, o que acabou prolongando a tramitação do processo.
“A gente quer saber da condenação desse criminoso que assassinou a Vanessa. Queremos justiça, proteção de verdade, queremos o estado brasileiro em todas as suas instâncias comprometidas com a vida das mulheres”, discursou.
Ribeiro ainda criticou a prefeita Adriane Lopes (PP), que cortou verbas para ações em prol das mulheres na Capital.
“Em Campo Grande, lutamos e conseguimos uma Secretaria Municipal das Mulheres, e o que aconteceu? Virou subsecretaria, depois Secretaria Executiva e este ano, a prefeita levou para a câmara um orçamento que cortou a metade das verbas destinadas às políticas para as mulheres”.
A vereadora ainda reforçou a demora pela Justiça. “Queremos que esse processo termine o mais rapidamente possível, mas a gente quer justiça concreta para a vida das mulheres e para isso é preciso se rebelar, falar grosso e alto, quebrar portas. Não dá mais para levar a luta das mulheres com meio-termo, nós estamos diante de um quadro que lesa o direito das mulheres”.
A senadora Soraya Thronicke (Podemos), também estava na manifestação e reforçou que a luta das mulheres acontece todo dia, relembrando das 39 vítimas de feminicídio registradas em 2025 em Mato Grosso do Sul. Thronicke ainda reforçou que toda mulher está sujeita a sofrer algum tipo de assédio ou violência, apenas pelo fato de ser mulher.
“Se fizermos uma pesquisa, veríamos que a maioria das mulheres já sofreu assédio. A morte é a última etapa. Um exemplo é do homem que entrou em uma universidade e matou a professora; eles não tinham nenhuma ligação, ele fez isso por não gostar de mulheres”, destacou.
“Esses 39 nomes não são apenas números, cada mulher ali tinha sua história de vida, tinha um pai, mãe e irmão. Não podemos ver apenas como números. Precisamos de mais mulheres na política, e sabe por quê? Porque quem apanha não esquece, só nós mulheres sabemos a dificuldade e a dor. Temos que provar todo dia que somos boas; temos que estudar duas vezes mais, que nos respeitem. E minha dor é não ter conhecido a Vanessa, não ter sido amiga dessa mulher, que hoje representa essas 39”, finalizou.
O crime
No dia 12 de fevereiro do ano passado, data do crime, Vanessa buscou atendimento por duas vezes na Deam. Na primeira ocasião, relatou ameaças e a exposição indevida de imagens nas redes sociais, incluindo a divulgação de fotos íntimas, atribuídas ao réu.
No retorno à unidade, detalhou episódios de violência psicológica e informou ter sido mantida em cárcere privado, impedida por dias de manter contato com familiares e amigos. Mesmo após a concessão de medida protetiva, ao retornar à residência acompanhada de um amigo, a jornalista foi atacada pelo ex- companheiro. Socorrida e encaminhada à Santa Casa de Campo Grande, não resistiu aos ferimentos.








