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sábado, 24 de julho de 2021
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Compaixão

Com colapso, Arnaldo luta por tratamento domiciliar para salvar cunhado da covid

Administrador relata dias terríveis para salvar a vida do cunhado, de 63 anos, e dispara contra festeiros e aglomerações: "Se meu cunhado falecer é uma família inteira destruída"

25 junho 2021 - 07h00Por Vinicius Costa

Arnaldo Cunha, de 49 anos, está se tornando um exemplo de perseverança para os milhares de campo-grandenses que estão na luta para salvar seus entes queridos da temerosa e dolorosa covid-19. Ao optar pelo tratamento domiciliar do seu cunhado, de 63 anos, ele entendeu que mudaria sua rotina drasticamente e relata que os dias estão sendo "cansativos e a rotina está extremamente dura e árdua".

O administrador entendeu que trocar a entubação para o tratamento seria uma maneira de salvar a vida do seu familiar, que convive há mais de duas semanas com a doença e está relutando com suas comorbidades, como pressão e obesidade.

"Permitir que o paciente seja entubado é quase uma declaração de morte", é assim que Arnaldo descreve o sentimento de conseguir ajudar seu cunhado a ficar vivo. À reportagem, bastante emocionado em descrever a situação vivida, ele enfatiza que está triplicando o tratamento na sua casa.

Mesmo com o medo de pegar a covid-19, Cunha segue com esperança de dias melhores tanto para ele, seu cunhado e para toda a família. "Tem válido a pena porque a gente tem conseguido", declara o administrador.

Toda essa força-tarefa para salvar a vida do parente começou após a sua irmã contrair a doença, por causa da circulação dela de forma obrigatória através do serviço. Mesmo assim, com todos os cuidados e respeitando os protocolos de biossegurança, o cunhado acabou sofrendo as consequências da disseminação do vírus.

Mas antes, Arnaldo descreve os momentos de tensão ao ver a irmã internada em uma clínica de Campo Grande, permanecendo "em uma situação difícil", assim descrita por ele.

Cilindros de oxigênio e venda de coisas

No último sábado (19), a equipe de reportagem encontrou Arnaldo Cunha chegando com um cilindro de oxigênio que ajudaria no processo de recuperação do paciente. Mas encontrar esse aparato está sendo cada vez mais difícil conforme as palavras do administrador, que os hospitais e empresas estão cada vez com menos estoque e não estão conseguindo armazenar o equipamento.

Para continuar com o tratamento e um médico particular acompanhando o quadro clínico de seu cunhado, Arnaldo precisou se desfazer de coisas pessoais para quitar as despesas. Dessa forma, ele passou a vender coisas, colecionar rifas para sortear e chegou até doar telefones como prêmios das rifas.

Os familiares também entenderam que seria necessário se desapegar de algumas coisas e ajudar a arcar com todos os custos. Nos últimos dias a conta tem subido consideravelmente e Arnaldo, e a família chega a pagar por alguns R$ 7 mil a R$ 8 mil pelo tratamento. Não é pouca coisa.

Contudo, todo esse risco e essa quantia gasta pelo tratamento deixa um certo conforto no coração do administrador. Ele entende que esse tipo de opção pode deixar sequelas, como o risco de comprometimento renal, mas entre a vida e a morte, Arnaldo fez a sua escolha com precisão.

"Está valendo a pena, a gente tira o chapéu. Existe um risco de comprometimento renal, mas vale a pena. Ou mantém ele vivo, ou compromete os rins. Eu prefiro ele vivo", enfatiza. Além disso, outro risco que o cunhado pode sofrer é vir a ser pré-diabético.

Emocionado com todo o relato, Arnaldo Cunha quis relembrar da perda do seu tio Mário Montania, técnico de laboratório que não conseguiu resistir ao avanço da doença. Ele atuava como assistente técnico no Hospital Regional de Campo Grande.

"Se meu cunhado falecer é uma família inteira destruída", termina o administrador.

Recado aos festeiros

Para a reportagem, Arnaldo fez questão de disparar contra os festeiros, eventos clandestinos e as aglomerações que são vistas em Campo Grande e no estado inteiro. Assim, ele sugeriu um "castigo" para quem passar a desrespeitar as condições de biossegurança impostas pelos decretos.

"As pessoas que estão arriscando a vida com aglomeração elas deveriam quando pegas, assinar um termo de abdicação de prioridade na vaga de internação. Quando elas fazem isso, aglomeram e sabendo dos riscos de contaminação, estão assumindo o dolo de contaminação", explica.

E não para por aí. "Não estou pedindo que elas percam o direito, mas que não estejam na lista de prioridade", e por fim completa. "Pessoas que são reincidentes, deveriam trabalhar em hospitais e dar folga para o pessoal das enfermarias".

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