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Cidade Morena

Estudantes classificam como 'horror dos horrores' palestra criacionista em evento da UFMS

Palestrante Marcos Eberlin abriu o Integra UFMS com teoria do design inteligente e ganhou chuva de críticas nas redes sociais; moção de repúdio foi criada

07 outubro 2020 - 13h55Por Rayani Santa Cruz

Palestra de abertura do evento cientifico Integra UFMS causou revolta entre professores e estudantes da Universidade. Isso porque, o palestrante que é doutor em química pela Unicamp, Marcos Nogueira Eberlin realizou a conferência de cunho criacionista ‘A viabilidade da evolução da luz na química’.

O evento virtual teve abertura na segunda-feira (5) e segundo o professor doutor Carlos Eurico Fernandes, a vertente tomada em um evento cientifico e conhecido pela grandeza nos trabalhos foi oposta a ciência. “Essa questão toda começa a partir do momento que a instituição traz um palestrante para falar sobre criacionismo. Não tem esse nome ainda [criacionismo], mas na verdade é uma vertente que está tentando entrar em outras esferas do conhecimento. Uma coisa é dar entrevista a uma TV ou blog e outra é começar a entrar dentro das Universidades Federais que são centro de ciências”, disse.

Ele cita que um grupo de cerca de 60 professores montaram uma moção de repúdio contra o evento. “Trouxeram um criacionista, daqueles terraplanistas e estamos colhendo assinaturas para a moção de repúdio, porque a gente acha que não é viável dentro de uma Universidade, em que se aplica ciência, o pessoal vir aplicar terraplanismo e etc.”, explicou o professor.

Professor Diogo Provete que é coordenador de pós-graduação explicou que a  moção de repudio está pronta e disponível no site para servidores e professores assinarem. Ele explicou que Eberlin é químico e coordenador do Discovery Center que é ligado a Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

“Ele é defensor de uma ideologia design inteligente e o Discovery Center é financiado por norte-americanos que defendem essa questão. A gente não sabia que ele seria o palestrante e fomos pegos de surpresa. A Universidade é um templo do saber baseado em evidências. Quando alguém traz a teoria do Criacionismo [é uma teoria pra explicar o surgimento e evolução da vida, só que não é científica], só que com uma roupagem cientifica acaba confundindo um debate entre ciência e religião. O problema é quando a pessoa usa o espaço público, canal oficial da UFMS, confunde o debate e desacredita da teoria da evolução e até propaga mentiras”, explicou Provete. 

“A moção está pronta e as pessoas estão assinando de outros campi inclusive. Vai ficar no site até o fim da semana para quem quiser assinar. A ideia é enviar aos organizadores do evento. Pedimos explicações sobre os motivos dele ter sido escolhido, se houve pagamento de dinheiro público e diversas outras questões. O crescimento do obscurantismo atual é preocupante, e é uma agenda então precisamos fazer alguma coisa”. 

O assunto chegou a nível nacional e o escritor e filósofo Henry Bugalho comentou sobre o evento na UFMS. Para ele o espírito anti-ciência está ocupando a política, a população e provocando desconhecimento nas pessoas.

“Uma das palestras do “cientista” foi feita com o modelo da teoria do desing inteligente. Que nega a teoria da evolução do Darwin e proprõe um modelo que podemos dizer ser teológico: de que uma inteligência superior criou o universo. Então, a grande falha é em parte a ignorância e desonestidade e má fé; pessoas má intencionadas que tentam distorcer o que os cientistas dizem para atacá-los. 

Sem aviso

O professor Carlos, que é vinculado ao Instituto de Biociências, e dá aulas em disciplinas de graduação e pós-graduação também completou dizendo que não houve aviso da reitoria sobre quem seriam os palestrantes. “A gente não sabe o que a reitoria pensa a respeito disso. A gente quer que se posicione. Como é permitido uma palestra dessas e não comunica ninguém? Não houve uma apresentação de quem abriria o evento. De repente, na segunda de manhã anunciaram”. 

Estudantes também reclamaram. “Foi um horror dos horrores” disse o estudante Alejandro Lasso na página do Facebook da Universidade. 

Matheus Assis disse que sempre teve orgulho de fazer parte da Universidade, mas que sentiu vergonha. 

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