Menu
quinta, 29 de julho de 2021
SEGOV - MICROCREDITO 27 A 29/07
Cidade Morena

'Flash': motorista é multado duas vezes no mesmo local com diferença de minutos

'Matematicamente impossível', reclama advogado

20 dezembro 2016 - 09h19Por Thiago de Souza

Foi com susto e indignação que o advogado Vanderlei Porto recebeu dois autos de infração por faltas supostamente cometidas no quilômetro 362, da BR-060, na saída para Sidrolândia, em Campo Grande. A cobrança poderia ser considerada normal, não fosse o fato de que o radar e o fotossensor registraram as infrações no mesmo ponto e em menos de dois minutos. 

Em sua defesa, o advogado, que trabalha na Capital e mora em uma chácara na saída para São Paulo, vai alegar que não percorre o trecho citado na multa e que seria ‘matematicamente impossível’ realizar infrações de trânsito em tão pouco espaço de tempo. 

Conforme o documento recebido, a primeira infração teria ocorrido às 22h04, do dia 20 de novembro. No local, a velocidade máxima permitida é de 40 km/h, porém, segundo a notificação, o advogado estaria a 63 km/h e, para efeitos de multa, foi considerada a velocidade de 56 km/h. Porém, em menos de dois minutos, às 22h06, ele teria passado novamente pelo equipamento em uma velocidade de 59km/h. 

“Minha defesa é um raciocínio matemático. Pelo cálculo deles é impossível correr tanto em dois minutos, nem se eu estivesse em uma curva”, alegou Porto. O advogado ainda destacou que não pode se tratar de uma autuação duplicada, pois os dados da ocorrência são distintos, somente o agente autuador, que é o equipamento, é o mesmo, com código AE 09397061. 

Para a infração supostamente ocorrida às 22h04, o auto de infração é 00507475LE. O ocorrido às 22h06, a notificação tem código 00507476LE.  
Nesta segunda-feira (19), Vanderlei entregou sua defesa para que sejam anuladas as penalidades. Caso não seja aceita a sua alegação em mais duas instâncias do órgão de trânsito, cairá sobre ele a infração considerada grave pelo código de trânsito, com perda de 5 pontos na CNH mais multa de R$ 195,23 por cada uma delas. 

Mais queixas

Não é de hoje que a desconfiança sobre a credibilidade dos equipamentos é questionada pela população. Radares e fotossensores sem aferição dão vazão a inúmeras interpretações sobre como é feita a fiscalização no trânsito, na Capital e interior.

Em maio, um condutor de um Ford Fiesta Sedan Flex foi autuado por avançar o sinal vermelho. Assim que recebeu a notificação, ele constatou no documento que a última aferição do Inmetro ocorreu em maio de 2013, ou seja, o equipamento deixou de passar por pelo menos duas inspeções do instituto para que estivesse funcionando de acordo com a lei.

Em julho deste ano, um leitor denunciou ao TopMidiaNews que foi multado por uma lombada eletrônica em frente a uma universidade na Avenida Gury Marques. Ele alega que passou a 40km/h, mas que o visor do aparelho mostrou ''58km/h''. Na ocasião houve suspeita de defeito no aparelho por conta que a empresa responsável pelo serviço, a curitibana Perkons, que desligou os equipamentos na cidade alegando falta de pagamento da prefeitura. Porém, a empresa disse que não haveria relação do desligamento-religamento com um ''possível desregulação'' da lombada eletrônica.

Em outubro deste ano, o MPE (Ministério Público Estadual) fez uma devassa na Agetran, em Campo Grande, e recolheu documentos referentes a equipamentos e infrações de trânsito ocorridas em cinco anos. A desconfiança é que os aparelhos tenham registrado infrações de trânsito sem passar por aferição do Inmetro, pelo menos uma vez por ano. 

Leia Também

Rio de Janeiro espera acabar com uso da máscara em novembro
Geral
Rio de Janeiro espera acabar com uso da máscara em novembro
Trio de encapuzados sequestra homem após tiroteio em Ponta Porã
Interior
Trio de encapuzados sequestra homem após tiroteio em Ponta Porã
Pacientes do interior ocupam UPAs de Campo Grande enquanto aguardam vaga em hospitais
Cidade Morena
Pacientes do interior ocupam UPAs de Campo Grande enquanto aguardam vaga em hospitais
Pais se revoltam com retorno presencial obrigatório na rede estadual de ensino em MS
Cidades
Pais se revoltam com retorno presencial obrigatório na rede estadual de ensino em MS