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Greves, insatisfação e escândalos da merenda derrubam indicadores da educação na Capital

Caos político influenciou nos resultados dos estudantes, que não alcançaram as metas do Ideb para o município

10 SET 2016
Kerolyn Araújo
09h58min
Foto: Geovanni Gomes

Neste ano, Campo Grande não alcançou as metas de qualidade de ensino para os anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) da Rede Municipal. Entre outros fatores, as notas ruins refletem o caos político dos últimos anos, que foram marcados por greves, problemas nas merendas e falta de segurança nas escolas.

O resultado, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) na quinta-feira (8), tem como base o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2015, que avalia a qualidade da educação nas escolas públicas de todo o país.

Conforme informações no Inep, o índice é medido a cada dois anos. Em 2013, a meta projetada para alunos do 1° ao 5° ano foi de 5.3 e batida por um décimo, 5.4. Para séries de 6° ao 9° ano, o índice também ficou acima do esperado, alcançando 4.7.

Porém, em 2015, os resultados não foram tão satisfatórios. No caso de turmas do 6° ao 9° ano, o índice alcançou exatamente a meta que foi projetada, de 5.0. Já turmas do 1° ao 4° ano alcançaram 5.4, abaixo do 5.6 que foi estipulado.

Obstáculos

Desde 2013, quando o índice foi medido, a Rede Municipal de Ensino (Reme) tem passado por diversos problemas, entre eles greve de professores e falta de merenda nas escolas.

Em 2016, pelo segundo ano consecutivo, a Prefeitura Municipal de Campo Grande enfrentou greve dos professores e servidores da área administrativa. Aproximadamente 500 funcionários aderiram à paralisação, que durou 10 dias. Em 2015, a greve chegou a durar mais de 70 dias.

Merenda

Em setembro de 2015, o prefeito Alcides Bernal (PP) 'recebeu' da gestão de Gilmar Olarte (sem partido), uma tonelada de alimentos vencidos. Por causa do problema, mais de 135 crianças que estudavam no Ceinf (Centro de Educação Infantil) Zacarias Vieira de Andrade, no bairro Rita Vieira, ficaram sem merenda. Os pais chegaram a fazer 'vaquinha' para comprar mistura para as refeições, já que no local só havia arroz e feijão.

No mês seguinte, Bernal foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de desviar R$ 647 mil da merenda escolar. O desvio teria ocorrido na ‘primeira’ gestão (entre 2013 e março de 2014), conforme auditoria realizada pela Controladoria Geral da União.

Em julho deste ano, uma ação popular com pedido de tutela antecipada foi impetrada por um cidadão contra o prefeito, que não estaria disponibilizando veículos para realizar o transporte adequado dos alimentos que ficam depositados na Suali (Superintendência de Abastecimento de Alimentos). 

No mês de agosto, o juiz Marcelo Ivo de Oliveira, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, negou pedido de Ação Popular e ‘livrou’ Bernal de responder por mais um transtorno relacionado à merenda escolar. 

No final do mês, o TopMídiaNews foi informado que alunos da Escola Municipal Professora Ana Lúcia de Oliveira Batista, no Bairro Paulo Coelho Machado, estariam há semanas está sendo alimentados apenas arroz e frango.

A equipe de reportagem tentou entrar em contato com a direção da escola e com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal da Capital, mas na escola, foi informada que a diretora estaria em uma reunião e o município diz que os alunos comeram arroz com frango somente um dia.

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