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Ativismo 'preguiçoso' é maioria em páginas 'black bloc' na rede

Protestos

20 OUT 2013
Da Redação
10h18min
Foto: Divulgação

Desde o início dos protestos de junho, pipocaram na internet brasileira dezenas de sites de "black blocs". Só no Facebook, surgiram 50 páginas no país, que produziram mais de 74 mil postagens, 160 mil comentários e quase um milhão e meio de "likes".

Existe, no entanto, relação entre atividade on-line e ações vistas nas ruas? Sim, quando o assunto é resposta à violência policial, e não quando a questão é o grau de engajamento desses internautas que visitam sites "black blocs".

Essas foram duas das respostas encontradas pelo pesquisador canadense Robert Muggah, diretor do Instituto Igarapé, órgão de pesquisa sediado no Rio dedicado à integração de questões sobre segurança e desenvolvimento.

Ele é autor do estudo "Black Bloc Rising: Social Networks in Brazil" (O surgimento do "black bloc": redes sociais no Brasil, em tradução livre), que analisou dados produzidos em páginas de grupos "black bloc" na internet entre junho e agosto deste ano.

Segundo a pesquisa, 90% dos usuários das redes "black bloc" interagem com páginas desses grupos no Facebook apenas uma vez. "Esse dado sugere que a maior parte da atividade dessas páginas se dá num modelo que chamamos de 'slacktivism' [ativismo preguiçoso]", diz Muggah.

"São pessoas que apoiam a causa sem se envolver muito com ela, num comportamento promovido por plataformas que requerem apenas um clique como forma de protesto", explica o pesquisador.

Para ele, isso indica que a participação desses internautas se dá mais como um "meme de protesto" do que como um compromisso de fôlego, que vai da internet às ruas.

Muggah também encontrou relação entre relatos de violência policial e atividades dos grupos "black bloc" on-line."Antes de junho, sites de 'black bloc' eram inexpressivos, inexistentes", diz.

"Sua presença na internet começou a crescer junto com os protestos e os relatos de brutalidade policial. A cada relato público do uso excessivo de força, havia um pico de atividade nos sites."

Para ele, essa relação sugere que, quanto mais polícia é colocada em confronto com manifestantes, mais grave tende a se tornar a situação.

"É um dilema para os governos, que precisam dar uma resposta à situação nas ruas. Recrudescer a abordagem policial, no entanto, parece tornar o problema maior e mais complicado."

Muggah avalia que o desafio atual é o de criar canais de diálogo com esses grupos para que suas queixas possam ser ouvidas sem que se recorra apenas à polícia. 

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