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Sem infraestrutura, Campo Grande se transforma na cidade dos alagamentos

Com início do período chuvoso, obras ficam paralisadas e água invade residências em várias regiões

4 DEZ 2016
Kerolyn Araújo
07h00min
Foto: André de Abreu

Campo Grande já foi uma cidade sem alagamentos, mas isso ficou no passado. Hoje, qualquer chuvinha deixa estragos pela cidade, causando alagamentos e fazendo famílias perderem o pouco que tem.

Jeter dos Santos Ferreira, 26 anos, era morador da favela Cidade de Deus, no bairro Dom Antônio Barbosa, mas há nove meses foi removido com outras famílias para um assentamento no bairro Vespasiano Martins. Mesmo não morando mais em barraco, Jeter sofre quando o tempo muda.
"Aqui não temos estrutura. Eu, com a ajuda do meu pai, aterrei meu terreno para evitar que a água da chuva entrasse para dentro de casa. Quando chove muito forte, tudo aqui fica alagado", explicou.

(Jeter mostra local onde água já chegou. Foto: André de Abreu)

Para Jeter, um dos motivos que causa alagamento é a falta de pavimento nas ruas. "A prefeitura ficou de recolher os entulhos das construções das casas, mas ninguém apareceu. O lixo amontoado não deixa a água escoar e ela acaba invadindo os quintais", ressaltou o morador.

Em outro ponto da cidade, no bairro Marcos Roberto, quem sofre com alagamentos desde o ano de 2004 é o tapeceiro Ubaldino Simões de Lima, 57 anos. Morando em frente ao córrego Anhanduí, na Avenida Ernesto Geisel, o comerciante conta que já chegou a perder móveis com as enchentes.  

"A água subiu tanto que perdi móveis de clientes que estavam aqui para consertar. Tive que isolar um cômodo da casa, já que a estrutura ficou comprometida por causa dos alagamentos. Não posso mexer em nada até que o problema da região seja resolvido", lamentou o tapeceiro.


(Sofrendo com enchente desde 2004, Ubaldino mostra altura onde água já chegou. Foto: André de Abreu)

Em outras regiões de Campo Grande, como o bairro Porto Galo, na região sul da cidade, e na Avenida Cônsul Assaf Trad, na região do bairro Nova Bahia, chuvas intensas também provocam alagamentos.

Conforme o ex-secretário municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação, engenheiro civil Semy Ferraz, as soluções para as enchentes seriam construir mais uma barragem na córrego Sóter, aumentar a crista da barragem do lago do Parque das Nações Indígenas em um metro, além de construir mais duas lagoas de detenção nas áreas da Via Park e Joaquim Murtinho. "O projeto para construção da barragem do Sóter já existe e está orçada em R$3,2 milhões", explicou.

Projeto de Lei do vereador Eduardo Romero (REDE) em conjunto com a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), visa isentar o IPTU para imóveis atingidos pelas enchentes. Apesar de não estar em vigor, o vereador ressalta que quem se sentir prejudicado com os alagamentos, pode recorrer à prefeitura.

Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura informou que já existe um plano para resolver o problema dos bairros afetados pela chuva. Famílias afetadas pelas enchentes podem procurar Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) ou o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo.

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