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quarta, 21 de outubro de 2020
Cidades

Fazenda no Pantanal virá refúgio de onças feridas em queimadas

“Me emociono a falar delas. Elas pisaram em brasas, sentiram muitas dores. É a prova da força das onças para suportar e sobreviver”, disse presidente da ONG

27 setembro 2020 - 09h52Por Nathalia Pelzl

Uma propriedade rural no município de Corumbá de Goiás se tornou o refúgio de onças em situação de risco. No local funciona a base de operações do Instituto de Preservação e Defesa de Felídeos da Fauna Silvestre do Brasil em Processo de Extinção (NEX).

O NEX é uma organização não-governamental, fundada em 2001, com o objetivo de abrigar animais feridos ou sob algum risco, direcionadas por centros de triagem do Ibama. Atualmente, a fazenda abriga 22 onças e uma jaguatirica.

Conforme divulgado, várias foram apreendidas pela fiscalização em operações contra o tráfico de animais, como no caso de filhotes cujas mães são mortas por caçadores. Recentemente, duas onças-pintadas, batizadas de Amanaci e Ousado, passaram a fazer parte do grupo.

Elas foram resgatadas com ferimentos graves em áreas tomadas por queimadas na área do Pantanal.

A presidente da ONG, Cristina Giani, disse que jamais havia abrigado felídeos em estágio tão intenso de sofrimento como no caso das duas onças recém-chegadas.

“Me emociono a falar delas. Elas pisaram em brasas, sentiram muitas dores. É a prova da força das onças para suportar e sobreviver”, conta Cristina.

Ousado foi resgatado no Parque Estadual Encontro das Águas, lugar conhecido por ter a maior concentração de onças-pintadas do mundo, em 11 de setembro.

Já Amanaci foi localizada dentro de um galinheiro em Poconé (MT), fugindo do fogo, em 21 de agosto.

“Eles estavam em um estado horrível, não se alimentavam e sentiam muita dor. A onça é um bicho bravo e arredio, e não aceita ser subjugado. É como deve ser. No resgate da Amanaci ela estava deitada com as patas para cima, não reagia, não andava, não levantava para beber água, tremia muito e defendia as patas o tempo todo”, diz o  veterinário Thiago Luczinski, que trabalha no instituto há 10 anos.

Tanto a fêmea quanto o macho precisam tomar por dias medicações potentes com base em opioide e morfina, tamanha a dor. “Agora eles não estão mais precisando de analgésicos tão fortes”, comemora o veterinário.

Por mês, o tratamento de cada um, sem contar a aplicação de células-tronco (conseguidas por uma parceria) e os honorários dos veterinários, custa R$ 10,5 mil.

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