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Sem sair do papel, lei que autoriza construção de crematório público encontra resistência da populaç

Sepultra

12 DEZ 2013
Ana Rita Chagas
07h00min
Foto: Geovanni Gomes

Ainda não saiu do papel, mas a lei que autoriza a criação do crematório público na Capital está dividindo a opinião da maioria dos campo-grandenses. Sancionada em novembro, a proposta atende uma solicitação feita por entidades da sociedade civil, envolvidas com questões ambientais. "Deus que me livre se minha família permitir isso. Quero ter minha sepultura em um cemitério, e na terra mesmo desejo que minha história seja lembrada pelo menos quando forem visitar a minha cova", disse a vendedora ambulante, Elza Almorone da Silva, de 32 anos.

Assim como Elza, a estudante de Ciências Biológicas, Elizangela dos Santos Pereira, 33 anos também considerou a determinação polêmica . “Não concordo e nem gostaria que fizessem isso comigo, pois sou defensora do costume e isso é uma questão de tradição vai ser difícil as pessoas se acostumarem, mas, respeitaria a opinião de quem pedisse para cremar o próprio corpo” reconhece.

Já o vendedor Algeu Vaz de 49 anos, acredita que a proposta é válida para a população. "Eu gostaria que a administradora deste crematório disponibilizasse um arquivo informando onde e o que foi feito com as cinzas de quem optasse por esse serviço, como os cemitérios normais”, expõe.

Desinformação – Segundo o coordenador do Fórum de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Mato Grosso do Sul, Haroldo Borralho, a falta de informação é o principal empecilho para que as pessoas tenham resistência para aceitar a novidade, no município. “É preciso haver uma campanha de esclarecimento que envolva toda a população, e isso será feito com o tempo”, acredita. 

Para o coordenador, a implantação de um crematório público fará com que a capital de Mato Grosso do Sul entre no ciclo das cidades que contribuem com a  preservação do meio ambiente. “Áreas que seriam ocupadas em grandes extensões de terra para construção de cemitérios poderão ser destinadas a construção de escolas, creches, postos de saúde e áreas de lazer para a população, além disso há também a preocupação com os resíduos sólidos, no cemitério Santo Amaro, por exemplo, as covas são rasas, isso prejudica o nosso lençol freático", sustenta.

Aproveitamento de espaços - De acordo com o ambientalista, além de evitar a deterioração ambiental, a construção do crematório possibilitará uma melhor ocupação dos terrenos. " A ocupação de espaço é outro problema sério. Nas regiões leste, sul, norte  já não temos nem área, sem contar que o sistema Pax é um absurdo para a população de baixa renda, na verdade não passa de aluguel de catacumba. Com o sistema de crematório a população desembolsaria cerca de R$ 500, se fosse em um sistema particular não sairia por menos de R$3 mil", defendeu. 

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