TCE 27/10 a 29/10
Menu
quinta, 28 de outubro de 2021 Campo Grande/MS
Cidades

‘Não podemos patologizar a violência’, alerta psiquiatra

Inimigo íntimo

10 janeiro 2014 - 18h00Por Ana Rita Chagas e Willian Leite

O ano de 2014 começou gritante nos lares campo-grandenses. De acordo com dados da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de 1º de janeiro até a data da última sexta-feira (10) foram registradas 160 ocorrências de violência doméstica e três homicídios contra mulher. 

O índice salta aos olhos quando comparado aos números de 2013. Em todo o mês de janeiro do ano passado foram feitas 548 ocorrências de violência, e apenas duas tentativas de homicídio. “Sempre que as mulheres perceberem algum indício tem de ficar atentas e tomarem atitudes corretas. A orientação é que elas procurem com urgência a delegacia para buscar ajuda", ressalta a delegada titular  Rosely Aparecida Molina.

Conforme Rosely Molina, em períodos festivos e datas comemorativas o número de ocorrências aumenta naturalmente. “Início de ano e em feriados são propícios,  pois, as pessoas acabam ingerindo bebida alcoólica e os ânimos ficam aflorados, o que na maioria das vezes causa os desafetos" informou.


Para o psiquiatra Kleber Francisco Meneghel Vargas, os dados revelam que as vítimas estão atentas às denúncias e isso pode está refletindo nas altas incidências verificadas. Segundo o especialista, nem todos os casos de violência estão relacionados ao sentimento de ciúme patológico, mas, ao caráter de quem pratica a ação. “A gente não pode  patologizar a  violência.  Às vezes isso acontece porque a pessoa realmente tem um caráter ruim. Já é uma pessoa violenta. Foi criada em um ambiente violento”, explica.

Agressores dão sinais – Kleber Francisco Meneghel Vargas lembra que a maioria dos atos de violência acontece após muitos sinais emitidos pelo agressor. “Já no início de um namoro a pessoa dá sinais de que é agressiva. Não com a pessoa, mas,  com os pais, com os amigos, com o garçom. No decorrer de um namoro, noivado, de um casamento, a pessoa vai demonstrando sinais. A pessoa tem de rapidamente dar um basta nisso porque uma concessão leva a outras”, alerta.

Outro ponto negativo apontado pelo especialista é a forma controladora com que o possível agressor lida com a vítima. "A vítima tem de ser muito firme já no começo e dizer: eu não aceito esse tipo de relacionamento controlador. O ciumento patológico é sempre uma pessoa muito controladora. Quer saber aonde você vai, com quem você está, parece teu pai. Liga a cada 15 minutos. Quanto mais concessão se dá pior é. E outra coisa, quem ama não bate, não machuca. Violência não é bom pra ninguém”, pontua.

Em casos graves, Vargas alerta que são necessários tratamentos farmacológicos e até terapias a depender do tipo de agressão que a vítima tenha sofrido. “Todas essas situações tanto a física, moral e sexual trazem uma consequência muito grande na vida das pessoas. Elas ficam deprimidas, com alta estima muito baixa  e nesses casos é necessário tratamentos”, ressalta.

Leia Também

Funcionários veem helicóptero suspeito voando sobre aeronave caída em Batayporã
Interior
Funcionários veem helicóptero suspeito voando sobre aeronave caída em Batayporã
Polícia prende empresário que furou sinal e atropelou adolescente em Costa Rica
Interior
Polícia prende empresário que furou sinal e atropelou adolescente em Costa Rica
Adolescente engole 16 escovas de dente e prego a pedido de médico
Geral
Adolescente engole 16 escovas de dente e prego a pedido de médico
Suplente de vereador vence processo contra deputado em Campo Grande
Campo Grande
Suplente de vereador vence processo contra deputado em Campo Grande