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Trote universitário é acompanhado por operação policial conjunta próxima a Universidade da Capital

Trote

3 FEV 2014
Carlos Guessy
18h00min
As atividades de recepção aos novos acadêmicos, realizadas pelos antigos alunos, não devem conter qualquer ação interpretada como violenta, humilhante ou constrangedora. Foto: Renan Gonzaga

Apesar das instituições de ensino superior incentivarem ações de entretenimento, humanitárias ou pedagógicas para receber os novos alunos, caso de trotes abusivos carregados de preconceito ou violência continuam sendo registrados em todo o país nesta época do ano. Muitas práticas se repetem sob alegação de que são tradicionais e fazem parte da história de determinadas faculdades. O trote estudantil consiste num conjunto de atividades dos demais alunos para marcar o ingresso de estudantes no ensino superior e, com algumas exceções, no ensino médio.

Para acabar com o trote violento, em razão das conseqüências drásticas que já ocorreram dentro e fora das universidades, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul recomenda providências às instituições de ensino superior do Estado, e incentiva trotes solidários e culturais.

A equipe de reportagem do Top Mídia News foi chamada para acompanhar de perto um trote em uma conveniência no posto de gasolina na avenida Tamandaré, próximo a Universidade Católica Dom Bosco, entre as ruas Santa Agueda e Santo Antão. Chegando lá a reportagem encontrou o local tomado por jovens se divertindo ao som de sertanejo universitário.

Alguns grupos em cima de pick-ups, outros no chão, dançando do arrocha ao pagode. Como é uma comemoração, alguns acabam se excedendo e bebendo de mais. A reportagem flagrou muitas garrafas de vodka, wisky e muitas latas de cervejas espalhadas pelo local. Um grupo de calouros todos com rosto pintados se divertiam e pulavam ao som da música do verão "Cavalinho", que na letra diz "Vai, vai , vai no cavalinho, Potoc, potoc, potoc, potoc...Segura gatinha não sai do galope".

A veterana do curso de medicina veterinária, Suelen Arima, 28 anos, acha importante o encontro nesse primeiro momento com quem chega na universidade. "Esse encontro é especial para todo mundo se enturmar. Foi em um desses trotes que eu conheci meu namorado, ficamos e estamos juntos até hoje, completamos agora em fevereiro 2 anos juntos", comemora a veterana.



Já a veterana do curso de psicologia, acha importante essa reunião e afirma que 2014 será o seu ano. "Esse semestre eu quero amadurecer na minha área, estudar mais. Quero focar no meu estágio, pois preciso conseguir um. Eu sou a favor do trote, onde conhecemos as pessoas, agora aquele trote que é forçado eu sou contra. Eu vim hoje para conhecer algum calouro do meu curso, conheci uma caloura. Eu e minhas amigas estamos combinando um café da manhã para a recepção essa semana em sala de aula para os novatos, como uma forma de socialização, apresentação, como forma de boas vindas no curso", enfatiza a acadêmica do 3º semestre de psicologia, Adriana Vinholi, 19 anos.

 

Para o acadêmico do curso de engenharia mecânica, Leonardo Rodrigues, 20 anos, o trote é uma forma de conhecer os 'novatos'. "Eu pelo menos vejo como uma forma saudável, uma brincadeira para nos conhecermos. É o nosso primeiro dia de faculdade, um novo passo na vida, novas amizades, novas descobertas e precisamos conhecer os novatos para saber quem está entrando no curso. Agora aqueles caras que ultrapassam os limites e tentam humilhar, cortar o cabelo sem o consentimento da pessoa, isso eu sou contra", opina Leonardo.

O pensamento do veterano do curso de engenharia civil, Danilo Bittar, 20 anos, condiz com o de muitos jovens, para ele tudo tem que ter limites em qualquer tipo de divertimento. "Tem gente que não tem limites e acaba bebendo de mais, depois passa mal ou acaba ficando valentão e sai briga. É importante ter esse vínculo de amizades entre calouros e veteranos, pois vamos conviver durante um bom tempo", conclui Danilo.

E como toda comemoração que reúne jovens, música e bebida alcoólica, algumas pessoas acabam se estranhando e partem para a ignorância. No final das entrevistas, vimos um grupo brigando por motivos sórdidos, a polícia chegou, mas o grupo já tinha se dissipado. Conforme informações da Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais) e Rondas Ostensivas com Apoio de Motos (Rocam), um grupo tático iria acompanhar da esquina o movimentos dos jovens e tentar passar um pouco de segurança aos presentes.

Segundo informações do Centro Integrado de Operações de Segurnaça (CIOPS), eles receberam uma ligação, onde havia uma briga generalizada em uma conveniência na Tamandaré, próxima a Universidade Católica, cerca de 20 homens se deslocaram para o local entre eles polícias militares, Rocam e Cigcoe. Ninguém foi preso até o momento que a reportagem esteve presente. Procurada para esclarecer algumas informações sobre o trote, a assessoria de imprensa da UCDB não foi localizada.  

 

O trote

As atividades de recepção aos novos acadêmicos, realizadas pelos antigos alunos, não devem conter qualquer ação interpretada como violenta, humilhante ou constrangedora. A maioria das instituições de ensino do estado retomam as aulas no início de fevereiro.

As universidades devem promover medidas de segurança para impedir a prática de atividades violentas, humilhantes e vexatórias. Quando necessário, devem realizar a punição disciplinar das pessoas envolvidas em práticas agressivas, ocorridas tanto no interior das universidades como fora delas.

Casos de trotes violentos

Em 2011, uma caloura do curso de nutrição da Universidade Anhanguera Uniderp foi obrigada a participar do trote. Segundo o boletim de ocorrência, após assistir duas aulas, a jovem teve os sapatos e a bolsa retirados e retidos por um grupo de estudantes, como forma de forçá-la a participar do trote.

Em 2012, veículos de comunicação noticiaram que um estudante da UCDB teria sido obrigado por outros alunos a ingerir gasolina durante um trote realizado próximo à universidade.

O estudante que se sentir agredido pela prática do trote pode denunciar o caso ao Ministério Público Federal, pessoalmente ou através do site www.prms.mpf.gov.br. É garantido o anonimato.

As atividades de recepção aos novos acadêmicos, realizadas pelos antigos alunos, não devem conter qualquer ação interpretada como violenta, humilhante ou constrangedora. Foto: Renan Gonzaga
As atividades de recepção aos novos acadêmicos, realizadas pelos antigos alunos, não devem conter qualquer ação interpretada como violenta, humilhante ou constrangedora. Foto: Renan Gonzaga
As atividades de recepção aos novos acadêmicos, realizadas pelos antigos alunos, não devem conter qualquer ação interpretada como violenta, humilhante ou constrangedora. Foto: Renan GonzagaFoto: Renan GonzagaFoto: Renan GonzagaFoto: Renan GonzagaFoto: Renan Gonzaga

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