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Cidades

‘Ou é poeira ou é lama’, lamentam moradores do Bairro São Conrado

Ruas sem pavimentação dificultam limpeza das casas, transporte e até prejudicam a saúde da população

12 outubro 2016 - 07h00Por Anna Gomes

Quando a rua que passa na frente de casa não é asfaltada, não é somente o pó dos dias secos ou a lama dos chuvosos que dificultam a vida dos moradores. Sem pavimentação nas vias, os problemas se acumulam, seja nos obstáculos do dia a dia ou até em problemas de saúde.

Um exemplo de 'esquecimento' do Poder Público é o Bairro São Conrado, em Campo Grande. Segundo quem reside no local, entra ano, sai ano e o lugar não recebe melhorias.

Adelanjo Rosa Conceição, 40, mora no bairro há cerca de 30 anos e destaca que, se não chove, a poeira toma conta, mas basta chover para as ruas virarem 'rios' impossibilitando a população de sair das próprias residências.

“Eu posso enumerar vários problemas, segurança, falta de asfalto, saúde. A sensação é de esquecimento”, lamenta Adelanjo.

A rua da adolescente Luana Tamares, de 14 anos, também está precária. A jovem explica que apenas as vias onde o ônibus coletivo passa que possuem asfalto, o restante do bairro fica abandonado.


"Moro no mesmo lugar desde quando nasci e juro que não vi as ruas melhorarem. Às vezes jogam cascalhos para disfarçar, mas o problema continua. Quando chove, não temos como sair de casa, pois a enxurrada é forte, mas quando não chove, a poeira é demais, tudo acaba ruim e asfalto é uma necessidade por aqui", ressaltou a adolescente.


Com 78 anos, o aposentado Cícero Silva, que mora no São Conrado há pelo menos duas décadas, já diz estar cansado das promessas políticas. "Não entendo como nos fazem promessas que não vão cumprir. Durante a campanha eleitoral nos pedem votos, depois que conseguem o que queriam, nos abandonam como animais", dispara o idoso.

‘Ou é poeira ou é lama’

Passando pelas ruas e avenidas do bairro, a equipe se deparou com uma cena comum em regiões com muitas ruas de terra: a capinagem na frente dos imóveis. Como é o caso de Fernanda Pereira, de 37 anos.


Fernanda reclama que não pode construir um muro definitivo em seu imóvel ou mesmo uma calçada, porque não sabe exatamente quais são as metragens. E, em época de chuva, o mato cresce mais e vira reduto de bichos. Outros moradores fazem o mesmo. Juntos, eles também tentar “melhorar” as vias públicas retirando o entulho que desce na enxurrada.

“Sem contar que a casa não para limpa. Quando o tempo está seco, o vento traz poeira. Quando chove é a vez da lama não deixar nada limpo. Enquanto isso, a gente vai vivendo como dá”, expõe.

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