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Marquinhos terá que acomodar mais de mil pessoas que vivem em favelas, avalia vereador

Prefeito eleito vai recriar a Secretaria de Assuntos Fundiários em Campo Grande

3 NOV 2016
Rodson Willyams
07h00min
Foto: André de Abreu / Arquivo

O prefeito eleito Marquinhos Trad, do PSD, anunciou que deverá criar duas secretarias municipais: uma voltada à acessibilidade para pessoas com deficiência física, e outra ligada a assuntos fundiários. É justamente nesta área que o vereador reeleito Carlos Augusto, do PSB, destacou que, nos últimos 60 dias, mais de 1 mil pessoas invadiram áreas públicas em Campo Grande. E, a partir de janeiro, essa será uma das principais missões do novo prefeito: acomodar essas pessoas na Capital.

Segundo Carlão, no passado, Campo Grande foi a primeira capital do país a ter uma Secretaria de Assuntos Fundiários. "No dia 23 de outubro de 1984, se não me falha a memória, com instalação em janeiro de 1985, o prefeito da época, Lúdio Coelho, criou essa secretaria. Na época, tínhamos 84 favelas em Campo Grande".

Além de atender as famílias que moravam nestes locais, Carlão lembra que as áreas públicas eram mais cuidadas. "Nessa época, as áreas públicas eram mais cuidadas. A prefeitura sedia como comodato essa áreas para que as pessoas pudessem plantar. E isso ajudava a fomentar o cinturão verde de Campo Grande. E hoje, a Guarda Municipal, ao invés de fazer o trabalho dela, de cuidar de áreas públicas, fica fazendo outra coisa. E com isso, novas invasões acontecem", comenta.

Para ele, o problema começou logo depois que o ex-governador André Puccinelli, do PMDB, assumiu a prefeitura de Campo Grande. "Vejo que o maior erro feito em Campo Grande foi quando o ex-prefeito André Puccinelli extinguiu essa secretaria. Ela era importante para Campo Grande. Com ela, além de atender as famílias, das áreas públicas, nós também conseguimos criar um fundo de urbanização, o Funaf. Os recursos pagos pelos terrenos iriam para este fundo, que ajudava quando havia enchentes em Campo Grande".

Segundo o parlamentar, nos últimos 60 dias, cerca de mil famílias invadiram áreas públicas em Campo Grande. "Esse será o maior problema social que o Marquinhos terá a partir de janeiro. Estará nas mãos dele acomodá-las. Tem muita gente que morava com pai e mãe morando agora na beira do córrego. O [Alcides] Bernal não cuidou e agora ficou pro Marquinhos. Só na saída de Cuiabá tem 500 famílias".

Outra situação é com relação a moradias que são regulares, mas encontram-se sem documentação. "São pessoas que moram em lotes, hoje encontram-se moradas e construções bem grandes, mas que, devido a falta de regularização fundiária, fica considerando que moram em favelas. A prefeitura fica só dando diploma, mas nunca regularizou a área, e com isso as pessoas ficam sem o documento. Por conta disto, o prefeito terá que olhar para essa área".

Carlão ainda afirma que não basta apenas criar a secretaria, é necessário que o prefeito eleito tenha força de vontade para resolver a questão e inserir dotação orçamentária para a pasta. "Não adianta ter uma secretaria com paredes sendo que ela não poderá atender as pessoas. Precisa ter recurso, um carro, técnicos como um medidor para funcionar, sem isso, as coisas não andam", finalizou.

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Campo Grande, durante o primeiro turno das eleições, novas invasões ocorreram em áreas públicas. As motivações aconteceram em razão de cunho político, em diversas áreas da cidade. E por conta do feriado, a assessoria não soube precisar quantas pessoas moram em favelas na Capital.

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