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Camara Maio

Praça Ary Coelho - Tradicional ponto de encontro entre velhos e novos amigos, movimenta o centro da

Dia do Aposentado

24 JAN 2014
Carlos Guessy
15h00min
Grrupo de amigos aposentados se encontram quase que diariamente no reduto da Praça para jogar damas, cartas e dominó. Foto: Geovanni Gomes

Dia 24 de janeiro, dia Nacional do Aposentado. Mas será que a bela idade tem motivos para comemorar a data de hoje? Muitos tem conquistas a celebrar, entre eles um estatuto que garante diversos direitos para aqueles que já passam dos 60 anos, porém muitas reclamações vem dos mais velhos. Em Campo Grande 81.910 pessoas são aposentadas ou pensionistas, desse total, 22.800 trabalham de carteira assinada. Os dados são do Censo 2010 divulgado pelo IBGE.

Uma das maiores dificuldades que a terceira ou bela idade enfrenta é o atendimento deficitário na área da saúde e com isso, automaticamente, influencia nos altos preços dos medicamentos a serem comprados. A media salarial desses aposentados gira em torno de R$ 749 mensais.

 

Conforme o presidente da associação dos aposentados, Waldir de Miranda Osório, 50% dos aposentados e pensionistas associados trabalham com carteira assinada. “Ninguém consegue ficar parado, ninguém gosta de sentir inválido, por isso que tem muitos aposentados que estão na ativa”, ressalta Waldir. Ele afirma ainda que a atenção das autoridades devem estar voltadas aos idosos. "Temos que pensar no futuro, daqui 20 anos a estimativa é que a população brasileira seja composta por mais idosos", pontuou.

Uma volta e meia no centro de Campo Grande, mas precisamente no ponto de encontro de velhos amigos, a praça Ary Coelho, tem um espaço reservado para a diversão com mesas para jogos de dama, xadrez e carteados diversos, além de rolar um bom papo entre um reencontro que pode durar horas nas conversas de amigos.

 

Seu Elias Tenório, carinhosamente conhecido como 'Museu', visitava o antigo reduto com o filho para matar um pouco das saudades dos tempos áureos, quando foi Campeão Estadual de Dama. Segundo Elias que tem 69 anos, aposentado, mora atualmente na cidade ecológica de   Bonito e tem uma loja de artesanato, onde ajuda a complementar a sua renda mensal. "Eu venho de vez em quando visitar os meus velhos amigos e sempre encontro algum aqui na praça e jogo um pouco, palpito. Eu fui campeão estadual de dama em 1988, o que ficou foi fotos e muita saudade daquele tempo que não volta mais", disse emocionado Seu Elias, carinhosamente chamado por todos de Museu.

Em 2014 ele completa 70 anos, com um raciocínio e memória de dar inveja a muitos jovens, 'Museu', lembra de como ganhou esse apelido na época que morava em Ponta Porã, "Eu tinha 23 anos e gostava só de coisa velha, fui ajuntando, comprando e tenho relíquias na minha casa, aí pegou e todo mundo só me chama de Museu, quase ninguém me conhece por Elias". Jogador ativo de tudo que é tipo de jogo de cartas, do gamão ao truco espanhol ao brasileiro, dos jogos de dama, xadrez e dominó. "Sou preparado para ser velho, jogo de tudo, de mamando a caducando", brinca Seu Elias, o Museu.



No meio de tanto aposentando se divertindo ou jogando uma conversinha fora, um jovem se destacava em uma mesa de jogo de damas, ora observando, ora palpitando. O moto boy Marcelo Ricartes, estudante, 29 anos, frequenta sempre que possível a praça para ver os aposentados jogar.  "Eu sou moto boy e no meu horário de almoço eu corro para cá, quase um vício, ver meus amigos jogando. Gosto de observar bastante e depois jogo um pouco.  Somos amigos, unidos, um ajudando o outro e a diferença de idade não atrapalha em nada, ao contrário só me ajuda, completou Marcelo.

Para a pensionista Rosa Maria Albuquerque, 80 anos, completados no primeiro do ano, a sua pensão que o marido lhe deixou, mal paga as contas básicas como água, luz e telefone,"Se não fosse a pensão deixada pelo meu falecido, eu passaria necessidades. Graças a deus eu criei meus filhos com amor e muito carinho, eles me ajudam além até,  uma da roupa, outra paga uma diarista, outro compras. Mas tem filhos que não estão nem aí para os seus pais, depois de velhos. Não temos posses, mas hoje todos eles são formados e com suas famílias, sou quase trisavó", comemora toda orgulhosa, dona Rosa Maria.

 

Os aposentados sul-matogrossenses movimentam mais de R$ 169 milhões todos os meses na economia do Estado, uma parcela da população que soma 225,46 mil pessoas, segundo dados do Instituto Nacional da Seguridade Nacional (INSS).

A maioria dos aposentados acabam deixando boa parte de suas aposentadorias em farmácias e drogarias. O atendimento desse público representa em média 45% do faturamento mensal em uma farmácia na Capital segundo o gerente de uma rede. "Como temos promoções de genéricos, e muitos aposentados usam medicamentos de uso contínuo,o movimento é grande por estamos quase em frente a praça central", revela o gerente da farmácia, Carlos Augusto Franco.

Segundo informações do Ministério do Turismo, mais de 206,2 mil pessoas com mais de 60 anos, acessaram as ofertas de viagens oferecidas para esse público. De acordo com o levantamento, 37,8% pretendem viajar nos próximos seis meses. Os moradores do Centro-Oeste, incluindo Mato Grosso do Sul, representam 8,3% desses turistas que contribuem para a economia local.

Grrupo de amigos aposentados se encontram quase que diariamente no reduto da Praça para jogar damas, cartas e dominó. Foto: Geovanni Gomes
Grrupo de amigos aposentados se encontram quase que diariamente no reduto da Praça para jogar damas, cartas e dominó. Foto: Geovanni Gomes
Grrupo de amigos aposentados se encontram quase que diariamente no reduto da Praça para jogar damas, cartas e dominó. Foto: Geovanni GomesFoto: Geovanni GomesFoto: Geovanni GomesFoto: Geovanni GomesFoto: Geovanni Gomes

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