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Cidades

'Saudades e boas lembranças' marcam Dia de Finados em Campo Grande

A prefeitura espera movimentação de 100 mil visitantes nos cemitérios públicos da Capital

02 novembro 2016 - 11h13Por Rodson Willyams
'Saudades e boas lembranças' marcam Dia de Finados em Campo Grande

A data em que se comemora o Dia de Finados é marcada por saudades e boas lembranças entre os visitantes e também serve de oportunidade para os ambulantes incrementarem a renda e movimentar o comércio com a venda de flores e velas, além de outros produtos, como alimentos. A expectativa da prefeitura é receber 100 mil visitações nos três cemitérios públicos de Campo Grande, nesta quarta-feira (2).

O feriado tradicional em todo país tem ligação com a Igreja Católica, mas vem desde a Idade Média, desde a época em que o cristianismo primitivo, que desenvolveu sob as ruínas do Império Romano, e nesse período os cristãos já rezavam pelos seus mortos. Na Igreja Católica, a tradição acabou incluída pelo monge beneditino Odilo (Odilon) de Cluny.

E desde então, no Ocidente, a data é comemorada no dia 2 de novembro. Mas hoje, o objetivo é simples: relembrar a memória dos mortos, dos entes queridos que já se foram. Para católicos, dia de rezar pelas almas que estão passando por um processo de purificação e de interseção junto a Deus para que ajude no sofrimentos dos que se encontram no purgatório.

A reportagem percorreu o maior cemitério da Capital, o Santo Amaro, onde conversou com algumas pessoas que estiveram no local nesta manhã. A aposentada Ana Rosa foi ao local para rezar pelos parentes que já se foram. Segundo ela, a saudade que mais dá é do marido, falecido em 1985.

Aposentada Ana Rosa. Foto: André de Abreu. 

"Fica a saudade, as lembranças de um tempo. Saudades do meu marido, da minha mãe, pai, avós. Saudade de uma época que foi muito boa. Mas isso faz parte do ciclo da vida", comenta. A aposentada ainda aproveitou para distribuir folhetos da Igreja Adventista, da qual faz parte.

Outra que esteve no cemitério, nesta manhã, foi a aposentada Inácia Caceres, de 70 anos, que esteve no túmulo da família, onde os pais e dois irmãos estão sepultados. "Sempre venho aqui, faço a limpeza. Mas vejo que as pessoas sempre teriam que vir mais. É claro, que a gente sabe que o espírito não está aqui, está em outro lugar. Mas o corpo sim, permanece aqui. Então, a gente vem porque tem respeito, acende uma vela e relembras as boas lembranças".

Aposentada Inácia Cáceres. Foto: André de Abreu.

Inácia explica que os pais eram do Paraguai, e que lá, a tradição de ir a cemitérios é mais forte. "Me lembro que os meus pais saiam de uma cidade para outra para visitar os mortos. Então, aqui, procuro dar continuidade a minha tradição", finaliza.

Comércio

A expectativa de rendimento com o feriado é boa, considerando que em frente ao cemitério havia muitos ambulantes vendendo desde comida a flores e velas, produtos essenciais para esta data. Alencar Ramos, de 36 anos, que estava acompanhado da filha, contou que chegou ao local por volta das 4 horas da manhã.

"Estão muito caras as coisas, essa é um oportunidade de incrementar a minha renda. Os impostos estão muito altos então vim aqui para trabalhar". Há cinco anos Alencar trabalha na data. Ele ainda contou que a movimentação no Cemitério Santo Amaro começou por volta das 5h30 e 6h da manhã e que só aumentou desde então.


Alencar vendendo flores. Foto: André de Abreu. 

Em frente ao cemitério, a Agetran interditou a Avenida Presidente Vagas.  As ruas laterais estão lotadas de veículos estacionados. Moradores disseram a reportagem que não tinha visto movimentação dessas há tempos. 

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