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Cidades

Sem netas e com cinzas das filhas, mãe de jovens assassinadas no Japão retorna à Capital

21 março 2016 - 11h33Por Dany Nascimento e Mariana Anunciação

Maria Aparecida Amarilha Scardin, 50 anos, mãe das irmãs campo-grandenses Akemy e Michelle Maruyama, de 27 e 29 anos, assassinadas no Japão, chegou hoje (21) na Capital e afirmou ao TopMídiaNews que mesmo ficando dois meses e nove dias no Japão, não conseguiu trazer as duas netas, de três e cinco anos de idade.

De acordo com Maria, as netas estão em um abrigo e a guarda não foi concedida para a avó materna porque a família do pai das crianças, o peruano identificado como Antony, principal suspeito de ter cometido o crime, demonstrou interesse na adoção das meninas, que teriam presenciado o assassinato da mãe e da tia.

"Meu objetivo era trazer minhas duas netas. O pai está preso mas ainda não foi indiciado pelo assassinato das minhas filhas. Ele está preso porque roubou um video game e um computador que era da minha filha. Se ele fosse indiciado, com certeza eu teria conseguido trazer elas para casa, mas por enquanto eu estou aguardando o indiciamento. Se Deus quiser e a polícia me prometeu, ele será indiciado em breve", diz a mãe.

 

A polícia do Japão, segundo Maria, não permitiu seu retorno ao Brasil devido as colaborações que a mãe estaria dando diante das investigações. "Mesmo morando longe, eu falava com minhas filhas todos os dias, tinha informações que outras pessoas não tinham".

A mãe recorda que pelas redes sociais, o casal, que estava junto há seis anos, aparentava viver em harmonia, mas no momento em que a irmã Michelle passou a morar na mesma residência, relatava para a mãe que o cunhado era 'possessivo'.  "Eles viviam juntos há seis anos no Japão, pelo Facebook aparentava que tinha vida boa, mas lá as pessoas mostram o que gostariam de ser. Ele era muito possessivo, a Michele morava com eles há três meses e ela que presenciou todo esse sentimento de posse do Antony. Ele achava que a Michelle estaria fazendo a cabeça da Akemy. Ele era uma pessoa complicada, ele não trabalhava", conta a mãe.

Segundo Maria, o suspeito será julgado no dia 29 de março pelo roubo praticado. A mãe das jovens assassinadas acredita que conseguirá a guarda das netas, já que é responsável pela filha mais velha de Akemy, que tem 12 anos de idade e veio morar com a avó porque estaria sendo agredida na casa da mãe. "Eu tenho a guarda da mais velha, que é filha da Akemy com outro homem, como ela estava sendo agredida, consegui trazer ela e agora acredito que conseguirei trazer as outras duas. Se não conseguir, vou pedir o apoio da Organização das Nações Unidas".

Além de lamentar a morte das duas filhas, Maria relembra que o irmão das jovens assassinadas se suicidou há seis anos e afirma que ficou "órfã de filhos". As cinzas das jovens assassinadas estão com a mãe, que finalmente conseguirá realizar o velório e sepultamento de Akemy e Michelle em Campo Grande. 

Questionada sobre levar a vida sem os filhos, Maria destaca que resolveu viver. "Eu decidi viver, ninguém gosta de lamurias e a vida cobra. Minhas netas dependem de mim agora".