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terça, 24 de novembro de 2020
CORONAVÍRUS

Tomar cloroquina por anos não reduz risco de covid, aponta estudo

Pesquisa foi desenvolvida por Marcelo Pinheiro, da Universidade Federal de São Paulo, que teve participação voluntária de cerca de 400 estudantes de medicina

20 novembro 2020 - 14h31Por Nathalia Pelzl

Famosa após divulgação feita pelo presidente Jair Bolsonaro, durante a pandemia da covid-19, a cloroquina é uma droga utilizada na medicina há quase 100 anos. 

Pesquisa coordenada por Marcelo Pinheiro, da Universidade Federal de São Paulo, que teve participação voluntária de cerca de 400 estudantes de medicina e quase 10 mil voluntários espalhados por 20 centros do Brasil, estudou se pacientes com doenças reumatológicas que tomavam a cloroquina há mais de cinco anos possuíam algum tipo de proteção contra a infecção pelo coronavírus ou se o quadro seria mais leve e sem maiores complicações neles.

A conclusão do trabalho vai na linha de outras pesquisas que foram feitas nos últimos meses: o uso da cloroquina não mudou em nada o risco de ter a covid-19 ou desenvolver as formas mais graves, com necessidade de internação ou intubação.

A pesquisa, antecipada em primeira mão para a BBC News Brasil, será apresentada nesta sexta-feira (20) durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia.

Conforme divulgado pela BBC News, o trabalho do time de especialistas começou no finalzinho de março, com a inclusão dos voluntários. No dia 17 de maio, essa etapa foi finalizada com a confirmação de que 9.589 pessoas fariam parte da experiência.

Desses, 5.166 indivíduos tinham lúpus, artrite reumatoide ou outras enfermidades reumatológicas e faziam uso da cloroquina todos os dias há vários anos.

Os 4.423 restantes não tinham qualquer doença do tipo e eram familiares ou amigos dos pacientes que moravam na mesma casa. 

Os milhares de participantes estavam espalhados por 97 cidades brasileiras e eram atendidos em 20 centros especializados em reumatologia.

Doenças como artrite reumatoide e lúpus possuem uma origem autoimune. Isso significa que o próprio sistema imunológico passa a atacar algumas estruturas do corpo, como as articulações. Sintomas mais frequentes incluem dores e inchaço.

Após a coleta dos dados e a análise estatística, os cientistas puderam comparar os dois grupos em relação à maior probabilidade de desenvolver covid-19: pacientes com doenças reumatológicas que usavam cloroquina versus indivíduos sem essas enfermidades que moravam na mesma residência.

A conclusão do trabalho foi a de que não houve diferença alguma entre as duas turmas. "A cloroquina não protegeu e nem evitou formas graves, que exigem intubação", resume Pinheiro.