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Economia

Países do Brics destacam integração do agronegócio e o meio ambiente em MS

Grupo é formado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul; visita ao MS deixou os convidados impressionados com a perfeita harmonia entre ecoturismo e agropecuária

27 setembro 2019 - 16h45Por Da redação/Governo MS

“Nós concordamos com o modelo aplicado aqui e defendemos essa preocupação com o meio ambiente”, considerou o vice-ministro da China, Taolin Zhang, ao se pronunciar durante a reunião da Brics – grupo formado pelo Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul -, sobre a integração bem sucedida da atividade agropecuária de larga escala com os recursos naturais em Mato Grosso do Sul. O encontro foi realizado nos dias 25 e 26 de setembro, em Bonito.

A visita dos ministros e delegados dos países visitantes a uma fazenda situada a 36 km da cidade, a Ceita Curê (“Terra dos meus Filhos”, na língua tupi-guarani), deixou-os impressionados com a perfeita harmonia entre a agricultura, a criação de gado de corte e de raça, reservas legais e o ecoturismo. A propriedade tem um grande potencial em recursos naturais, como rios de água cristalina e cachoeiras, e começa a explorá-los turisticamente.

Ao falar sobre o encontro em Bonito, o governador Reinaldo Azambuja observou que pelo menos oito artigos da carta conjunta assinada pelo grupo tratam exclusivamente da questão da sustentabilidade, o desenvolvimento sustentável da agricultura, baseado no conhecimento, na questão de melhoria da saúde, de incremento de produtividade e redução de custos, com destaque especial para a conservação de solo e água – conjunto de princípios que há cinco anos vem sendo trabalhado pelo Governo do Estado.

Cúpula do Brics se reuniu durante dois dias em Bonito: declaração conjunta norteará as próximas ações. Foto; Edemir Rodrigues

Alinhamento

“O conteúdo da carta potencializa e confirma que a estratégia de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul está alinhada com estratégia mundial dos principais produtores e com a estratégia do governo brasileiro”, disse Reinaldo Azambuja. Ele lembrou que o Estado tem uma boa base de pesquisa com duas unidades da Embrapa, duas fundações e universidades, com um trabalho intenso de expansão da produção agrícola e já exporta para países que compõe o Brics. Citou o recorde de produção de milho, aumento expressivo na safra de soja, produção de celulose de floresta e uma série de programas que permite que Mato Grosso Sul tenha destaque nacional.

“Temos programas que convergem com esse desenvolvimento sustentável, que é a produção de carne carbono neutro; somos líderes nacional na integração lavoura-pecuária-floresta, com 2,5 milhões de hectares, e nossa base de pesquisas nos permite realizar uma serie de cooperações técnicas com o Brics”, comentou. “A oportunidade é excelente para que busquemos junto a países como a China e a Índia consolidar a nossa Rota Bioceânica.”

Sustentabilidade

Na avaliação do secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, que representou o governador na reunião do Brics, os itens da carta devem ser observados sob a ótica das grandes transformações por que passam o mundo, que hoje discute as mudanças climáticas, a ampliação das exportações e grandes disputas comerciais.

“A visão do mundo a respeito da nossa produção pode mudar a partir do que foi apresentado para esses líderes na reunião do Brics” afirmou Verruck, ao observar que Brasil, Rússia, Índia, China e a África do Sul representam 3,3 bilhões de pessoas e, juntos, os cinco países são responsáveis por 50% da demanda de agua, 40% da energia e 35% da demanda de alimentos de todo o mundo.

“Lá fora vemos ser apresentadas imagens que, em boa parte, não refletem a nossa realidade. Apresentamos aos ministros os nossos processos de agricultura integrada com ecoturismo, processos de agricultura integrada com reserva legal, o trabalho com as áreas de preservação permanentes e toda tecnologia empregada, com altíssima produtividade e mecanismos sustentáveis”, observou.

Comprometimento

O secretário comentou que o setor agrícola mundial reconhece o processo de mudança climática e percebe a adaptação, em ações como agricultura de baixo carbono, integração lavoura-pecuária-floresta, aumento de produtividade e que a força da agricultura mundial está baseada em tecnologia e sustentabilidade e caminha para a questão da bioeconomia e a agricultura digital. Para ele, ficou claro que o aumento da demanda desses países dá espaço para ampliação de suas relações comerciais com grandes ganhos para todos.

“Esse é um jogo onde todos devem participar. Sozinho, por mais que queira, nenhum dos cinco países conseguiria atender tamanha demanda. Há espaço para todos e, nesse encontro, houve o entendimento de que o Brasil tem produção, tecnologias e sistemas de produção modernos e arrojados, e que, com a cooperação proposta podem ser compartilhados e ajudar no desenvolvimento sustentável dos demais parceiros”, completou Verruck.

Anfitriã do encontro em Bonito, a ministra Tereza Cristina Dias, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), afirmou que o Estado mostrou “que somos exemplo em sustentabilidade na agropecuária, eles (os ministros) tiveram a oportunidade de ver essa integração. Tenho certeza que levarão a melhor das impressões para seus países do que fazemos aqui”, “Não escolhemos Bonito para sediar essa reunião por acaso, foi para mostrar o nosso comprometido com a sustentabilidade.”

Reconhecimento

Na mesma linha, o vice-ministro da Rússia, Taolin Zhang, classificou os lugares visitados em Bonito como singulares. “Talvez não vá dizer nada de muito original, mas acredito que na Terra não haja lugares como esses. Gostaria de sublinhar que tivemos a oportunidade. Isso não foi agradável apenas do ponto de vista social, mas também do ponto de vista profissional, pois conhecemos um exemplo de desenvolvimento e sustentabilidade aqui”, disse. 

O vice-ministro da África do Sul, Mcebisi Skwatsha, também destacou o comprometido do Estado e de Bonito com o equilíbrio ambiental em suas principais atividades econômicas. “Levarei para a África a impressão de pessoas bonitas e de lugares incríveis”, comentou. Skwatsha reafirmou compromisso do seu país com essas práticas e disse que o Brics “é um reconhecimento importante para o crescimento sustentável dos cinco países”.

Presente ao evento, o presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), Mauricio Sato, elogiou a escolha de Bonito como forma de apresentar o Brasil e Mato Grosso do Sul para o mundo. “É uma oportunidade para que a gente possa divulgar nossas potencialidades e nossa capacidade produtiva, muito baseada em sustentabilidade”, realçou. A entidade rural presenteou a comitiva com obras culturais, entre elas livros do poeta Manoel de Barros. “Além das lembranças, também entregamos dados econômicos do Estado”, citou.