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Ela perdeu os pais, acabou em orfanato separada do irmão, mas destino selou união

Os pais biológicos morreram em um acidente, deixando três filhos

19 SET 2016
Dany Nascimento
14h32min
Valquíria posa ao lado dos irmãos biológicos Foto: Reprodução

Valquíria Oriqui é a prova de que a vida pode mudar radicalmente em questão de alguns minutos e que a adoção se torna o acolhimento que muitos seres humanos necessitam para tocar a vida. Valquíria não sabe exatamente qual idade tinha quando perdeu o pai e a mãe em um acidente e foi levada para um orfanato em São Paulo, ao lado de um dos irmãos. 

Com uma diferença de idade de apenas 11 meses e 27 dias, Valquíria teria que ser adotada junto com o irmão, que acabou virando irmão e primo dentro da nova família, comemorando a festa de aniversário sempre juntos. Valquíria fala com orgulho da história  e destaca que foi adotada aos 2 anos de idade, crescendo rodeada de amor e carinho.

A irmã mais nova foi separada dos dois irmãos, mas o destino tratou de junta-los outra vez.

Confira abaixo a entrevista completa:

TopMídiaNews: Onde e como tudo aconteceu?

Valquíria: Nasci  em Capivari, interior de SP. Não sei quantos anos eu tinha quando meus pais biológicos morreram e fui parar no orfanato da cidade. Mas na ocasião éramos em três irmãos: eu, meu irmão e minha irmã. Eu e meu irmão temos 11 meses e 27 dias de diferença de idade (não chega a 1 ano,  minha irmã era bebê na época em que tudo aconteceu. Eu fui para um orfanato, meu irmão para outro e minha irmã foi para o hospital com pneumonia.

TopMídiaNews: Com quantos anos foi adotada?

Valquíria: Aos 2 anos e 10 meses de idade fui adotada por uma família q morava na capital de São Paulo. Porém, não poderiam separar eu e meu irmão pelo fato de termos quase a mesma idade. Então quem o adotou foi a irmã do meu pai adotivo. Fomos morar em São Paulo com as respectivas famílias. Crescemos sendo irmãos e primos. Como ele faz aniversário dia 7 de março e eu dia 3, as festas sempre eram feitas juntas. Poucos meses depois nos mudamos para Campinas, interior de SP, distante 100 km, no máximo, de Capivari.

TopMídiaNews: A família tentou esconder a adoção?

Valquíria: Desde sempre nossos pais nos contaram que éramos filhos adotivos e que tínhamos uma irmã que tinha sido adotada por uma família em Capivari, que não queria que ela soubesse que ela era adotada. Sempre nos conformamos com isso e nunca passou na cabeça ir atrás dela. A família que me adotou já tinha uma filha e dois filhos bem mais velhos. Eu era a bebê da família.  Cresci cercada de amor e carinho por todos eles. A família que adotou meu irmão também tinha outros filhos, um menino e duas meninas.  O pai adotivo dele faleceu de alzheimer muitos anos depois.

TopMídiaNews: Alguma vez conseguiram contato com essa irmã adotada por uma outra família?

Valquíria: De repente, em 2006, do nada, meu telefone toca dizendo que do outro lado da linha estava a minha irmã.  Em choque,  falamos por muitas horas para tentar aproximar o que  25 anos tinha separado. Ela contou que ainda morava em Capivari e que sempre soube que tinha dois irmãos.  A família resolveu contar que ela era adotada assim que ela cresceu e que passou a vida dela nos procurando. Mas sempre encontrava obstáculos pelo caminho, além da falta de coragem. Então, a partir desta ligação  nos reencontramos e passamos horas trancados dentro do quarto dela tentando colocar em dia um pouco da nossa história.  Em 2007, pouco depois que nos conhecemos já vim morar  em Campo Grande e perdemos o contato.

TopMídiaNews: Como é sua relação com seu irmão que sempre ficou próximo de você?

Valquíria: Meu relacionamento com meu irmão é  via WhatsApp e Facebook, mesmo assim, muito pouco. As circunstâncias nos separaram, quero o bem deles, afinal de contas, temos o mesmo sangue. Meus irmãos de coração mesmo são Marcos, Luciana e Osvaldo.

TopMídiaNews: Como você se sentia em relação a adoção?

Valquíria: Nunca escutei na minha casa a palavra adotada. Nunca senti discriminação. Tive tudo o que os outros irmãos tiveram. Minha mãe certa vez me disse que quando a mulher engravida, Deus manda a ela o filho sem que possamos escolher.  Você eu escolhi. Quando te vi não sei explicar o que senti,  mas sabia que era minha.

TopMídiaNews: Que recado daria para as pessoas que tem medo de adotar uma criança?

Valquíria: A Adoção precisa ser consciente. Hoje em dia é diferente de antigamente. Hoje a pessoa adota e depois de um determinado prazo, se não se adaptar com uma criança, pode devolvê-la para o abrigo. Antigamente não existia isso, a pessoa adotada e aquela criança seria o filho dela para o resto da vida. O conselho que eu dou para quem quer adotar é que pense muito antes. Pois o fato de passar um determinado tempo com uma criança e depois devolvê-lo pode causar sequelas para o resto da vida da criança. Só serve para adotar, quem nasceu para ser mãe, mas que pelos meios naturais não conseguiu. Para adotar é preciso ter dentro de si uma dose de amor extra. Porque o ato de adotar é você estar disposto a amar uma criança que não tem o seu sangue e que não foi gerada dentro de você. E se esquecer disso durante a criação dela (de que foi adotada),  porque um filho adotado é igual ao filho gerado, o que muda são apenas características natas de cada criança. Se a pessoa tem medo de adotar uma criança é porque ela não tem certeza do que ela quer. Quando você bate o olho numa criança, você sabe se você quer ou não que ela faça parte da sua vida.Na dúvida não adote, pois a adoção não é Brincar de Ser pai e mãe, é coisa séria, e é pro resto da vida