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Entrevistas

Baby blues e depressão pós-parto: ainda há preconceito, diz psicóloga e doula

04 dezembro 2015 - 07h50Por Amanda Amaral

O bebê nasceu saudável, o pai, os avós e, outros entes da família estão radiantes. Porém, já nos primeiros dias após a chegada do filho, a mãe começa a sentir alguns sentimentos relacionados a tristeza. Se os sintomas forem passageiros, não há de se preocupar, afinal todo o período da gravidez e o parto trouxeram grandes transformações hormonais no corpo dessa mulher.

Mas, se os sintomas continuarem, é preciso ficar atento quanto a um possível ‘Baby Blues’ ou depressão pós -parto. A psicóloga e doula da ‘Papo de Gaia – Assessoria a Gestante & Família’, Mariksa Ungerer, explica as causas, sintomas, tratamento e formas de prevenção destas duas doenças.


TopMídiaNews: Qual a diferença entre a depressão pós-parto e baby blues?

A diferença entre Baby Blues e Depressão pós-parto é o tempo e o momento em que cada uma aparece. A diferença entre um e outro é o tempo e o momento em que cada quadro se inicia.

O Baby Blues inicia-se logo depois que o bebê nasce e os sintomas ocorrem entre 14 a 30 dias. Seus sintomas estão ligados aos processos hormonais do parto e da lactação recorrente do pós-parto. É natural a mãe sentir medo, angustia, ansiedade, irritabilidade, falta de sono, choro, uma sensação de não saber exatamente o que está acontecendo e insegurança em virtude da fase de adaptação do bebê que acabou de chegar. Tudo é novo e a mamãe deve entrar em sintonia com a nova fase da sua vida - o pós parto imediato.

Porém, esses sintomas podem ser confundidos com a  depressão pós-parto. O Baby Blues deve ser acompanhado e observado pela família, não criando então, um cenário de pressão e questionamentos dessa mãe. Acolhimento, respeito e carinho são ações que auxiliam no momento puerperal.

 

Os sintomas do Baby Blues devem desaparecer durante esse tempo até 30 dias, que podem variar de uma mulher para outra. Quando não somem e mesmo ainda continuam a aumentar os sintomas, podemos então perceber que um quadro inicial de depressão pós-parto está sendo instalado na vida da nova mãe. Os sintomas são parecidos com os do Baby Blues, o que diferencia é a intensidade sentida pela mãe e a dependência emocional, afetiva e social. Nesse momento, ao final de 20 dias de observação após o parto os sintomas não diminuindo e sim aumentando, esta deve procurar ajuda de um profissional para avaliação inicial e imediata. No caso, a psicóloga.

 

TopMídiaNews: Há intervalo de tempo mais comum para a ocorrência dos sintomas?

Para o Baby Blues após o nascimento e deve durar entre 14 a 30 dias. Para a depressão pós-parto após 20 a 30 dias do nascimento do bebê.

 TopMídiaNews: Quais são e como são feitos os tipos de tratamento?

Para o Baby Blues e depressão pós-parto os tratamentos iniciais imediatos quando logo detectado, acompanhamento terapêutico para alivio dos sintomas e orientação.

Em casos mais graves, cuja depressão pós-parto já está instalada é necessário uma avaliação psiquiátrica (nesse caso pode haver  uso de medicações depressivas recomendadas para lactação) e psicológica para auxiliar os alívios, a tensão e a orientação de aceitação da nova fase da vida da mulher, do casal e da família. Acupuntura, massagens e atividades físicas ajudam a buscar resultados mais rápidos.

TopMídiaNews: Para a família e amigos, como lidar com a mulher que está passando pela situação?

APOIO - essa é a palavra-chave. O ‘respeito’ e o ‘amor’ são ações fundamentais para tratar uma mulher no pós-parto em quadro de Baby Blues e depressão pós-parto.

O acompanhante e a família devem estar atentos aos sintomas e ao tempo das doenças, para assim buscar apoio, orientação e  tratamento imediato. Participar de grupos de apoio a maternidade é importante e também ajuda.

TopMídiaNews: A mulher que já teve casos da depressão após a gestação na família tem mais chances de ser acometida pela doença?

Toda mulher em fase puerperal pode desenvolver o Baby Blues e a depressão pós-parto. Cada gestação é diferente da outra. Portanto cada momento é único, intransferível e especial. Incluindo aos quadros hormonais e afetivos de cada mulher e da mesma mulher. Mesmo esta gerando uma segunda ou mais vidas.

TopMídiaNews: Há alguma maneira de se tentar prevenir a depressão pós-parto ou o baby blues?

Sim, por meio de acompanhamento Peri natal durante a gestação, acompanhamento terapêutico e orientativo durante a gestação, participando de rodas de gestantes, grupos de apoio a gestantes. Também é importante ler, ouvir, trocar informações com outras mamães, buscar orientação e apoio. São formas de prevenir a doença e amenizar essa fase no pós-parto.

TopMídiaNews: Existe, ao seu ver, algum tipo de preconceito com essas doenças?

Sim, infelizmente a doença da depressão pós-parto é velada tanto quanto o Baby Blues Puerperal. Não falada, a mãe sofre sem saber. É natural receber a seguinte fala da família: “Isso é frescura, vai passar. Eu tive e passei. Você vai passar. Levanta e vai lavar as roupas do seu bebê”. Isso tudo chega ser ofensivo, violento com a mulher que acaba de parir. Devemos ter carinho e respeito durante todas as fases da vida: gestação, parto e pós-parto. Palavras-chaves: apoio, amor e respeito.


TopMídiaNews: Por que decidiu trabalhar com o tema e como tem sido a experiência?

Bom, sou psicóloga há 12 anos e sempre trabalhei com a saúde da mulher e da família. Quando engravidei da minha filha Marina, hoje com 3 anos, percebi na prática o que é estar gestante e ser puérpera. Infelizmente  não pude ter todo o apoio humanizado e respeitoso que assim prego na minha jornada. 

Hoje trabalho como Doula e psicóloga e atualmente na nossa cidade venho protagonizando apoio físico e emocional a todas as gestantes para o período Peri natal, parto e pós-parto. Foi através de uma experiência negativa e que me trouxe dores em minha alma que pude transformar o sofrimento em amor. Meu desejo é que nenhuma mulher seja desassistida, desacompanhada durante essa fase que é tão especial e única em nossas vidas. Por amor, respeito ao tempo e ao protagonismo feminino na escolha do parto e, no que deve ser no pós parto, que eu venho auxiliar essas mulheres poderosas.

Hoje não choro mais, minhas dores se foram, hoje carrego comigo o prazer de poder ajudar e uma felicidade sem fim. Sei que minha missão está sendo cumprida. A cada sorriso de uma mãe me vejo também. Tenho certeza que em minha próxima gestação terei todo o respeito e carinho que são tão essenciais na vida de uma mulher Mãe.