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Camara - marco

Amigas de infância, após 42 anos mulheres descobrem que são irmãs

Reencontro

26 NOV 2013
Kerolyn Araújo e Willian Leite
17h15min
A emoção tomou conta das irmãs Foto: Geovanni Gomes

"Não sei o que quero, se é chorar, gritar ou desmaiar, só sei que quero abraçar a minha irmã", são as palavras da costureira Maria Aparecida Ribeiro, 45, que esperava ansiosa pelo encontro.

Há 42 anos sem ver a irmã, Maria Aparecida, moradora de Glória de Dourados, procurou a polícia há quatro meses para procurar  Roseli Rodrigues, 42,  que foi dada para adoção para uma vizinha quando ainda era recém nascida.

Após investigações iniciadas em um cartório de Dourados, Roseli  foi localizada na cidade de Campinas, em São Paulo. A policial Maria Campos, responsável pelo caso, entrou em contato com Roseli, avisando que sua irmã mais velha estava à sua procura. De início, houve resistência por parte da mulher, mas depois de algumas conversas, ela resolveu vir para Campo Grande encontrar Maria.

Segundo Roseli, ela sempre soube que era adotada, mas nunca se sentiu inferior aos irmãos por isso. "Eu sempre fui muito amada pelos meus pais adotivos", comenta. Apesar de saber que foi dada para adoção, ela afirma que nunca sentiu rancor da família biológica. "Nunca senti raiva por ter sido dada para adoção. Fui criada por uma família muito boa", frisou ela.

O encontro aconteceu por volta das 15h de hoje (26) na Depac da Vila Piratininga. Maria Aparecida, que estava nervosa aguardando pela chegada da irmã, não pensava em outra coisa a não ser o momento que abraçaria Roseli. "Só quero poder abraçar minha irmã logo", comentou Maria.

Na hora do encontro, a emoção tomou conta das irmãs, que se abraçaram e trocaram palavras de carinho, relembrando os momentos vividos na infância, quando achavam que eram apenas amigas.



História

Na infância, mesmo sem saber que eram irmãs, Maria e Roseli eram muito amigas. Elas moravam na mesma rua e cresceram brincando juntas. Roseli foi dada para a vizinha criar, já que sua família biológica não tinha condições de criar mais um filho. Ela era a caçula de cinco crianças.

Apesar de serem vizinhas, nunca foi revelado que as amigas na verdade eram irmãs. "A Roseli sempre foi muito apegada aos seus brinquedos. Nunca dividia com ninguém. Eu era a única pessoa que ela deixava brincar com suas bonecas. Sempre fomos muito apegadas uma a outra", conta Maria. Aos oito anos de idade, Roseli e a família vieram morar na Capital e elas nunca mais tiveram contato.

Antes de morrer, a mãe de Maria contou que ela tinha uma irmã que havia sido adotada. Como todos os outros três irmãos já haviam falecido, Maria resolveu ir atrás da única pessoa da família que ainda poderia estar viva.

Após o reencontro, as irmãs prometeram não se separar mais. "Vamos manter contato e fortalecer cada vez mais o vínculo familiar", finaliza Roseli.

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