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Geral

Após 18 anos, ex-assessora se diz ameaçada e abandonada por deputado

21 dezembro 2015 - 07h00Por Vinícius Squinelo

“Hoje me sinto ameaçada e abandonada”. Assim define a jornalista Nilmara Caramalac, 37 anos, 18 deles trabalhando para Maurício Picarelli, deputado estadual pelo PMDB. A relação profissional de quase duas décadas acabou de forma traumática, com acusações, denúncias, ameaças de processos judiciais e uma profissional dizendo que hoje corre risco de morte.


Todo processo de rompimento entre deputado e assessora levou mais de oito meses, e teve início em maio deste ano, quando Nilmara se tornou alvo de um procedimento investigatório do Ministério Público Estadual. O inquérito foi arquivado em novembro, mas nesse meio tempo todo o problema já estava instalado.


“Foi uma situação que tive que me defender diante de um promotor de Justiça, em processo sobre carga horária, mas levantou-se toda uma fumaça, questionamento do motivo de estar sendo chamada para depor no MPE”, explica Nilmara.


A jornalista era gerente da TV Assembleia há quatro anos e meio, indicada justamente por Picarelli. Segundo ela, o cargo e a investigação do MPE a deixaram em situação delicada. “Qualquer palavra minha poderia ser usada contra o Estado inteiro”, garante. A jornalista afirma que tinha ‘acesso a todas as audiências, conversas de assessores e deputados’.


“Me sinto ameaçada, uma ameaça velada, pela situação que me encontro hoje”, afirma.


Diante de toda a situação, Nilmara teria pedido para deixar o cargo, solicitação atendida pelo deputado estadual Maurício Pucarelli. “Jamais poderia imaginar que estivesse sendo induzida a uma situação, como o que me falam hoje: que fui usada, induzida a pedir afastamento do cargo, porque ofereço sim risco, principalmente pra ele (Picarelli)”, denuncia.


Em novembro, a investigação do MPE, conduzida pelo promotor Alexandre Capiberibe Saldanha, foi arquivada, poucos dias antes de Nilmara ser nomeada na Secretaria de Estado da Casa Civil do Governo do Estado, para Gerência-Executiva e Assessoramento, símbolo DGA-4, no dia 20 daquele mês. Porém, os problemas só pioraram daí em diante.

(Jornalista relata meses de confusão e desencontros / foto: André de Abreu)


Abandono
Ao assumir o cargo, Nilmara Caramalac teve projeto de trabalho negado dentro de instituição do Governo do Estado. Hoje é nomeada, mas impossibilitada de trabalhar, segundo ela por motivos fora de seu alcance. Como ela foi nomeada no final de novembro, não recebeu sequer um centavo do Governo do Estado. A própria nomeação foi indicação de Maurício Picarelli.

"Tinha interesse em otimizar a comunicação da Polícia Civil de MS, mas fui impedida de prosseguir, e hoje me encontro assim. Por qual motivo? Porque tanto medo por parte dos outros?".


Nesse meio período, entre a saída da Assembleia e a entrada na Casa Civil, Nilmara ficou trabalhando na agência do filho do deputado.
Segundo a profissional, ela foi sendo deixada de lado, e impossibilitada de trabalhar. A jornalista se diz em meio a um obscuro emaranhado de fatos, e sequer sabe ao certo o que está acontecendo, mas se sente ameaçada.


“Chegou a um ponto que disseram pra eu esquecer o nome da polícia, como vou fazer isso? Como vou me defender? Eu achei isso uma ameaça”, relata. “Posso atravessar rua e ser atropelada por alguém, levar bala perdida, podem plantar droga no carro”, desabafa. “Eu quero saber por que minha vida está em risco”.


Já em dezembro, Nilmara voltou a procurar Maurício Picarelli. “Eu procurei ele, o deputado afirmou que eu teria feito um barraco”. Depois disso, não houve mais contato com o deputado. “Antes ele falou que faria de tudo pra me ajudar”.


Nilmara chegou a receber mensagens da esposa de Maurício, Magali Picarelli, vereadora de Campo Grande pelo PMDB. “Você não é mais digna da nossa confiança, esqueça que existimos. Até agora você teve defesa, ajuda e emprego. Mas você é ingrata e se junta para falar besteiras contra quem te apoia, defende e te luta para te manter no emprego”, diz trecho de uma delas.


A vereadora ainda teria ameaçado processar Nilmara, por postagens em redes sociais. Já a jornalista não quer mais a imagem usada nas redes sociais do casal. Nilmara ainda desabafou nas redes sociais (veja posts ao fim da matéria).


“Não quero me colocar como o Chocolate, que espalhou merda no ventilador, e virou vereador”, dispara.

A reportagem tentou contato, ontem (20), com Maurício Magali e Picarelli, porém não eles não atenderam ou retornaram as ligações.

(Mensagem enviada por Magali Picarelli / foto: André de Abreu)


Medidas
A profissional pede, com urgência, uma audiência pública com todos os envolvidos, do deputado estadual Maurício Picarelli à representante do Governo do Estado. Segundo ela, a medida poderia acabar com todo o problema de uma vez por toda.


Nilmara chegou a fazer uma petição ao Governo federal, um pedido de ajuda para que se resolva toda a situação. “Me sinto abandonada, me sinto ameaçada, eu gostaria de um posicionamento do poder público sobre toda essa problemática”.