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Geral

Após morte de recém-nascido, especialistas explicam parto humanizado

17 dezembro 2015 - 19h03Por Mariana Anunciação

O momento do nascimento de um bebê é algo tão íntimo que resulta em divergências de opiniões e, até mesmo, o parto humanizado acaba sendo interpretado de formas distintas ou equivocadas. Nesta semana, uma mulher que teve o nome preservado, de 32 anos, perdeu seu bebê quando estava realizando um parto humanizado em sua residência, no Bairro Taquarussu, em Campo Grande, o que gerou grande repercussão nas mídias sociais.

Mas qual é o real significado do parto humanizado? Estudiosos explicam que é aquele em que as decisões da mulher são levadas muito mais em consideração do que em um parto convencional, ela se torna protagonista. Isso significa deixar a natureza fazer a maior parte do trabalho e realizar o mínimo de intervenções médicas possíveis. 

A jornalista e professora universitária, Juliana Feliz, mãe de três meninas de 4, 6 e 10 anos, virou uma especialista sobre o assunto após sofrer violência obstétrica (na hora do parto) na primeira gestação. Apesar de todos os partos terem sido normais, ela considera a última gestação melhor, realmente natural, por estar mais informada, não ter usado anestesias ou tido cortes.

“O parto normal pode ser humanizado ou agressivo, quando a mulher é maltratada e sofre violência. Na primeira gestação tive parto normal, mas foi violento. O anestesista me desafiou: Vamos ver se vai ser normal mesmo. Cortaram sem me perguntar. No humanizado, a mulher tem toda a atenção, é respeitada, o tempo é dela. Mas não é o que vemos nos hospitais, em geral. Nesse caso, acho que não foi um parto humanizado e sim domiciliar. Mas também não sabemos, vai que ela tivesse o bebê no hospital e ele morresse do mesmo jeito? Ainda estão investigando. Não podemos julgar, é lógico que os pais querem o melhor aos filhos”, opinou.

 

Foto: Arquivo Pessoal/Facebook

A polêmica se estende ainda mais, quando muitas mulheres defendem a cesariana (cirurgia) junto com o parto humanizado, alegando a praticidade como agendamento de data do nascimento, redução do estresse materno e dor durante o parto, curta duração do trabalho de parto e dentre outras vantagens. Já, Juliana Feliz, tem opinião totalmente oposta. “Para mim, a cesariana é a maior violência que existe, exceto em casos de riscos, quando a cirurgia é necessária. As estatísticas demonstram que há muito mais infeções, maior risco de hemorragias e mortes em cesáreas. Sem falar do pós-operatório conturbado”.  

Consenso

Apesar da tradição dos antigos que faziam o parto nas residências, hoje em dia, a maioria acredita que a mãe e o bebê correm risco de perder a vida. “Eu não acompanho parto domiciliar em Campo Grande porque não temos estrutura e nem equipes bem formadas. A mulher deve estar bem informada e saber das possibilidades do que pode acontecer. Não faço nada técnico, meu papel é dar apoio emocional e psicológico”, destacou a doula, há cinco anos, Maria Maia, formada com cursos do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa e Rede de Humanização do Nascimento.

“O parto humanizado pode ser feito até em cesárea. Sou contratada pela gestante, acompanho durante a gestação, informo, dou apoio emocional e logístico, acompanho todo o trabalho de parto, durante e pós-parto imediato. Não tenho nenhum problema com as equipes médicas porque faço meu trabalho. A mulher e o profissional médico ou enfermeiro obstetra são autoridades máximas. Estou apenas para acompanhar e ajudar”, destacou a doula.

Todo esse procedimento de assistência ao parto deve variar em torno de R$ 500 a R$ 1.200,00, aqui na Capital. Ao ser questionada sobre a suposta “indústria do parto humanizado” e modismos, a doula diz que o problema é que há inversão de valores e as pessoas devem estar cientes que humanizar é valorizar a vida e a gestante, por exemplo, a opinião da mãe é relevante: ela pode definir se vai ter uma doula, se vai ser alimentada, usar soro para induzir o parto e entre outros.