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Geral

Brasil deve produzir mais energia limpa

05 novembro 2015 - 12h14Por SNA - Sociedade Nacional de Agricultura

Há alguns anos, o Brasil gerava pouca energia limpa e renovável a partir da biomassa, mas isto vem mudando em todo o território nacional. Atualmente, existem vários produtos e subprodutos que vêm sendo utilizados pelas usinas termoelétricas, dentre eles o bagaço da cana-de-açúcar, madeiras de eucalipto e de pinus, e até banana.

A mais recente novidade do setor é que, nos próximos anos, seis termoelétricas em Mato Grosso do Sul vão gerar energia a partir da queima de madeira de eucalipto, o que é uma boa notícia para todo o País. Outras cinco novas empresas vão se instalar no Sul do Estado nos próximos meses e todas vão utilizar este recurso como matéria-prima.

 

Referência na produção de energia limpa e renovável, a biomassa somou, até abril deste ano, 12.417 megawatts (MW) de potência instalada, representando a terceira fonte mais importante da matriz elétrica brasileira, resultando em uma capacidade de geração de energia superior à da Usina de Belo Monte (no Pará). O segmento fica atrás apenas da hidroeletricidade (66,1%) e do gás natural (9,5%), conforme dados mais recentes, divulgados em junho passado, pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

 

O órgão ainda destacou que, em dez anos, a capacidade instalada em usinas termoelétricas nacionais, a partir da biomassa, teve acréscimo de 8.362 MW, se comparado a abril de 2005. A previsão é que, nos próximos três anos, entrem em operação mais 1.750 MW desta fonte, que já estão contratados. Outros 2.400 MW são previstos para entrar em operação até 2023.

 

MATO GROSSO DO SUL

De acordo com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul (Senar-MS), as usinas sucroalcooleiras e as fábricas de celulose – tanto do Estado quanto do País – já produzem energia a partir da biomassa. As empresas armazenadoras de grãos, os aviários e os frigoríficos, por exemplo, já vêm utilizando a madeira e o cavaco do eucalipto para gerar calor e energia.

 

O cavaco é um recurso renovável retirado da própria madeira, que é triturada por picadores móveis e industriais. As lascas também são usadas como subprodutos nas fábricas de celulose, mas em conjunto com a madeira. Em sua maioria, o cavaco é destinado à produção de energia em fornos e caldeiras, oferecendo boas características energéticas. Este subproduto da madeira de eucalipto apresenta baixo custo de aquisição; menor risco ao meio ambiente, por ser um recurso renovável; suas emissões não contribuem para o efeito estufa; e as cinzas são menos agressivas se comparadas aos combustíveis fósseis, a exemplo do petróleo.

 

“As termoelétricas de geração de energia, a partir da biomassa de madeira, não existiriam sem o eucalipto e o pinus. As usinas de açúcar e de álcool, que produzem energia elétrica para o consumo próprio – assim como as fábricas de celulose –, e revendem o excedente ao mercado, agora utilizam os cavacos de eucalipto o ano todo (antes, era só na entressafra). Isto porque, segundo pesquisas, descobriu-se que a biomassa do eucalipto melhora a queima e a caloria do bagaço de cana, subproduto usado na geração de energia”, explica Paulo Cardoso, consultor em silvicultura do Senar-MS, em entrevista à Sociedade Nacional de Agricultura - SNA.


MERCADO

Cardoso salienta que, para os produtores de florestas sul-mato-grossenses (silvicultores), este novo mercado vem crescendo a partir da energia limpa e renovável, agregando valor aos seus negócios. De acordo com ele, a biomassa ganha força em um momento em que a demanda mundial está voltada para o aperfeiçoamento da matriz energética, substituindo fontes fósseis e poluentes por combustíveis ecologicamente corretos.

 

“A queima de madeira de eucalipto só é menos viável e ecologicamente sustentável que a energia eólica, embora a queima do bagaço de cana, um subproduto já disponível dentro das usinas, tenha um custo menor de produção”, ressalta Cardoso, reforçando que a madeira de eucalipto precisa ser colhida, picada e transportada até a usina, daí seu custo ser um pouco maior.