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“Capaz de matar”, diz ex de Eduardo Bolsonaro, xingada de “vagabunda”

Filho do presidente eleito, o deputado recebeu na terça-feira a intimação para se manifestar sobre acusação de ameaça contra Patrícia Lélis

01 novembro 2018 - 13h23Por Da redação / Metrópoles

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) recebeu na terça-feira (30/10) mandado de intimação para se manifestar sobre a acusação de ameaça contra Patrícia Lélis. A jornalista, de 24 anos, afirma que namorou o filho do presidente eleito Jair, por três anos e oito meses.

Na época do relacionamento, terminado, segundo ela, no meio de 2016, Patrícia era assessora e líder do núcleo jovem do PSC, antigo partido da família Bolsonaro (hoje, eles são do PSL). Patrícia diz que o namoro foi conturbado.

As informações são da plataforma Universa, que entrevistou a jornalista.

“O Eduardo é terrível. Chama as mulheres de gostosas, pega na bunda das pessoas. Eu vivia uma relação baseada no medo do que ele poderia fazer.” A jornalista diz que o namoro terminou depois que o deputado federal Marco Feliciano, na época, também do PSC, tentou estuprá-la. “Pedi ajuda para o Eduardo e para o Jair mas eles me mandaram ficar calada.”

Meses depois, ela e Eduardo travaram uma briga por mensagens de celular. Ele a teria ameaçado de morte – “mais uma palavra e eu acabo com você” -, e chamado-a de “puta”, “vagabunda”, “otária” e, quando Patrícia disse que iria à justiça, a resposta teria sido: “enfia a justiça no c.”. A briga teria acontecido em julho de 2017.

Em abril deste ano, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou o deputado por ameaça. A procuradora pediu ao STF a condenação de Bolsonaro, além do pagamento de R$ 50 mil reais de indenização. No início deste mês, o relator do caso, ministro Luís Roberto Barroso, enviou uma notificação para que Bolsonaro responda se aceita uma transação penal, um benefício proposto pela PGR pelo qual ele se compromete a pagar 25% do seu salário de deputado, cerca de R$ 10 mil, a uma instituição de caridade, além de prestar serviços comunitários por 120 horas. Eduardo tem 15 dias corridos para responder.

O advogado do deputado, Alexandre Dumaes, afirmou à Universa que seu cliente deverá se apresentar ao Ministério Público Federal nos próximos dias (eles têm os 15 dias), informando que não aceitará a proposta de transação penal. A alegação de Dumaes é que a acusação se trata de “notícia falsa”. Segundo a defesa, as mensagens são uma montagem.

“Temos provas concretas de que o fato não ocorreu e esperamos a instrução criminal para provar que o que ela está falando é uma mentira. São mensagens que qualquer um pode montar. Na verdade, ela (Patrícia) está praticando crime de denunciação caluniosa”, diz Dumaes.

O advogado afirma ainda que “dependendo da nossa estratégia”, pedirá uma perícia em ambos os celulares. Segundo ele, não houve exame nos telefones que comprovem a veracidade das mensagens. Em nota, a PGR confirma que os telefones não passaram por perícia. “Mas nada impede que eles possam ser periciados no decorrer da instrução processual”, informa o órgão.

Na denúncia analisada por Raquel Dodge, entretanto, consta a informação de que o número de onde partiram as mensagens era de fato do deputado desde 2013. Dodge destaca ainda que o denunciado teve a preocupação em não deixar rastro das ameaças alterando a configuração do aplicativo Telegram para que as mensagens fossem destruídas após cinco segundos depois de enviadas. Patrícia filmou a conversa antes que ela sumisse e registrou um boletim de ocorrência para relatar a ameaça.

Além de negar a veracidade das mensagens, Eduardo Bolsonaro informa, por meio de seu advogado, que: “Nunca namorou Patrícia”.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do deputado Marco Feliciano, que negou as acusações de Patrícia contra ele e disse ainda que: “o deputado nunca teve envolvimento com ela”.