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sábado, 24 de julho de 2021
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Geral

Carrefour paga 22 vezes mais a entidades que à família do caso Beto para evitar ação judicial

Ele foi morto após ser espancado por seguranças no local

19 junho 2021 - 10h48Por Dany Nascimento

Para afastar a abertura de ações judiciais pela morte de João Alberto Freitas, o Carrefour aceitou na última semana pagar R$ 115 milhões, em Porto Alegre. 

Ele foi morto após ser espancado por seguranças em uma de suas unidades, em novembro de 2020. Este valor é 22 vezes maior que os R$ 5,2 milhões destinados aos familiares do homem negro morto.

Conforme o site Uol, a primeira quantia faz parte de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) acertado com entidades públicas e organizações do movimento negro para reparar danos morais comunitários e descartar a abertura de ações judiciais.

Segundo o Conselho Nacional do Ministério Público, esse é o valor mais alto para um acordo do tipo para combate ao racismo. O dinheiro não será destinado à família, que teve de negociar diretamente com o Carrefour.

Os parentes do homem, conhecido como Beto, precisaram assinar termos de confidencialidade porque os acordos são sigilosos. 

O Carrefour informa ter indenizado nove familiares de João Alberto: os quatro filhos, a neta, a irmã, o pai, a viúva e a enteada —as duas últimas presenciaram as agressões dos agentes da Vector, empresa de segurança privada que prestava serviço para a rede de supermercado.

Após idas e vindas, a viúva Milena Borges Alves foi a que recebeu o maior valor. No final de abril deste ano, o Carrefour depositou em nome dela R$ 1,1 milhão.

Como o valor foi disponibilizado antes de o acordo ser fechado, os advogados dela encararam o gesto como forma de pressionar por um acerto, já que o pleito era obter R$ 5 milhões. Cerca de um mês depois, as duas partes bateram o martelo, mas a quantia não foi divulgada. "Esse valor é sigiloso", reforçou um dos advogados da viúva, Hamilton Ribeiro.

A empresa informou que não pagou o valor exigido, pois estavam "muito acima das médias de condenação aplicadas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) para casos semelhantes". Por isso, as negociações se estenderam. O Carrefour afirmou ainda que, durante a fase de tratativas, foi garantido "todo suporte financeiro e psicológico" para a viúva.