Prestes a organizarem greve, servidores públicos estaduais divulgaram nota oficial argumentos que levaram à decisão de protestar contra o anúncio do governo em não conceder reajuste salarial em 2017. A nota do Fórum dos Servidores Públicos do Mato Grosso do Sul é em tom de repúdio, pontuando que a justificativa de crise econômica não é refletida igualmente relação ao setor industrial e agropecuário no Estado.
Os servidores se reuniram anteriormente com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) no dia 22 de maio, mas as negociações não avançaram. No encontro, o governador disse que o Estado não possui recurso para atender a reivindicação do Fórum dos Servidores, que pleiteia reajuste de 8,12% para todas as categorias.
Contudo, os servidores reclamam da dificuldade no diálogo com o executivo. Com isso, o ‘cruzar dos braços’ deve ser definido nos próximos 15 dias, afetando escolas, policiamento e demais atividades.
Conforme Ricardo Bueno, Presidente do SINTSS/MS (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social), a nota é a primeira de uma série de mobilizações. “Na próxima terça-feira (6) vamos usar da fala na tribuna da Assembleia Legislativa para denunciar a situação e pedir apoio da casa e também vamos começar a realizar mobilizações pontuais, que vamos definir em reunião do fórum na semana que vem”.
Leia abaixo a nota:
“O Fórum dos Servidores Públicos do Mato Grosso do Sul vem a público manifestar seu repúdio à atitude do Governo do Estado de não reajustar os salários dos servidores públicos estaduais, alegando que houve queda na arrecadação devido à "crise", porém, continua a conceder e renovar isenções fiscais para diversos setores da indústria e agronegócio sem critérios definidos e garantias de benefícios à população do Estado.
E, na contramão do discurso de crise insiste em contratos milionários de serviços terceirizados, que poderiam sustentar a folha de pagamento dos servidores por vários anos, quando não os reajusta pelo índice inflacionário, com pagamentos retroativos. Não age com transparência e apenas mostra uma parte dos fatos.
Mesmo que haja crise, os servidores estão abertos ao diálogo verdadeiro, para que realmente sejam ouvidos, e, sobretudo tenham suas necessidades atendidas. Desde o início deste mandato, não houve sequer reposição inflacionária e o poder aquisitivo dos funcionários públicos tem diminuído drasticamente.
O anúncio do reajuste zero foi feito no dia 31 de maio, data final estipulada para negociação, durante reunião do Fórum Dialoga. Esse fórum teria sido criado para que a categoria e o governo mantivessem o diálogo constante e construíssem juntos, governo e servidores, aliança para o avanço e desenvolvimento das carreiras. Porém, a política de diálogo do governo consiste em informes, onde não há um contraponto e nas duas oportunidades em que o Fórum Dialoga se reuniu com os representantes das categorias, em 2017, não foi tratado o reajuste salarial linear.
A Secretaria de Administração também recebeu, separadamente, os representantes das categorias para obter os pleitos, porém apenas recebem as categorias para reiterar pontos discutidos desde o início da gestão, pois os avanços, inclusive, garantidos em lei, sequer são cumpridos, isso quando não ameaçam sua retirada.
O arrocho da “crise” está caindo somente sobre o servidor público, porque os apadrinhamentos se perpetuam e o governo continua indicando comissionados indiscriminadamente.
Além disso, os servidores estaduais estão há três anos amargando a falta de reajuste salarial, enquanto a inflação corrói os seus salários. Muitas promessas são feitas, mas poucas são cumpridas. Os servidores encontram-se cada dia mais desmotivados, pois enquanto aparece um discurso de crise econômica pelo Governo, a realidade encontrada pelo cidadão é que o dinheiro que poderia ser investido na sua estrutura e valorização é esbanjado em eventuais esquemas milionários de corrupção.
Os servidores públicos estaduais nada mais esperam que esse Governo do Estado o trate com o respeito do discurso de campanha, em que o SERVIDOR É O MAIOR ATIVO DO ESTADO!
Entidades sindicais e representantes de classe que subscrevem:
SINDIJUS-MS; SINPAP-MS; SINDETRAN-MS; SINTERPA-MS; ABSSMS; SINTSS-MS; SINPOL-MS; SINDAGE-MS; SINDER-MS; ACP; SINDAFAZ-MS; SIGEASFI-MS; FETEMS; APBM-MS; DIEESE-MS; SINDASP; SINTED-MS; SINSEMP-MS; SINSAP-MS; SIFEMS; ADEPOL-MS; AOF-MS.”







