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sábado, 19 de setembro de 2020
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Crianças eram obrigadas a comer o próprio vômito em escola denunciada à polícia

A proprietária foi indiciada pelo crime de tortura-castigo; ela fazia fila no banheiro para dar palmada, diz polícia

26 abril 2019 - 15h24Por Paraná Portal

O Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria) da Polícia Civil concluiu o inquérito que apurou a denúncia de maus tratos a crianças de uma creche no bairro Água Verde, região nobre de Curitiba, no Paraná. A proprietária foi indiciado pelo crime de tortura-castigo.

Segundo as investigações, a diretora e proprietária da Cimdy Educação Infantil, Jussara Pazim, de 64 anos, praticava diversas formas de agressão física e psicológica contra crianças.

“Tortura-castigo é caracterizada física e psicologicamente. Não é só agredir, chacoalhar as crianças… foi verificado que ela forçava as crianças a comer, as crianças vomitavam na comida e ela forçava a comer com o próprio vômito. Ela fazia fila no banheiro para dar palmada, deixava as crianças sentadas no banheiro por horas”, conta a delegada Ellen Victer, uma das responsáveis pela investigação.

De acordo com a polícia, é possível, inclusive, que as práticas possam ter começado desde que a escola abriu, em 1997. Durante as investigações, foram ouvidas 54 pessoas, entre crianças e ex-alunos da instituição que hoje são adultos. O conteúdo da escuta especializada com psicólogos que ouviram as crianças é sigiloso, porém, segundo a delegada Ellen Victer, todas as crianças ouvidas são vítimas das agressões praticadas pela diretora do creche.

“Na defesa, ela alegou ter uma postura firme com a educação das crianças. Só que, ao meu ver, há um grande excesso uma vez que educação não se confunde com agressão. Voltar a pegar a comida com vômito e devolver na boca da criança? Ao meu ver isso se enquadra como tortura-castigo e a polícia entra em ação”, comenta o delegado José Barreto.

Vídeos do circuito interno registraram agressões e estão em poder da polícia. “Todos esses atos geram traumas nas crianças. São atos graves. Os pais trouxeram relatos de que elas estão traumatizadas, nas novas escolas elas [as crianças] chegam perguntando se ‘aquela professora não está aqui’.

Funcionários da instituição também foram ouvidos no inquérito e relataram temer represálias da proprietária. “Ela sempre falava que podiam denunciar ela porque conhecia delegados, juízes e promotores e que nada aconteceria com ela e quem quisesse entrar com ação trabalhista poderia e não teria problema nenhum”, diz Barreto. Os funcionários, incluindo professoras, colaboraram com as investigações. Diante da repercussão do caso, a escola foi fechada.

Agora, o inquérito está com o Ministério Público do Paraná (MPPR) que fica responsável de denunciar a proprietária à Justiça.

Na última nota enviada à imprensa, a escola afirma que a denúncia não define a conduta e a atuação da escola.

“A escola Cimdy tem um histórico de mais de duas décadas comprometido com e educação e a formação de centenas de indivíduos. O respeito e a confiança sempre pautaram as relações entre instituição, pais e alunos. Uma condição validada por alunos, ex-alunos e pessoas que se envolveram com a instituição de ensino em todos esses anos. A denúncia não define a conduta e a atuação da escola, a qualidade de seu histórico, nem a credibilidade de toda a equipe de profissionais que nela ou com ela trabalham. Os responsáveis pela escola estão à disposição das autoridades públicas para prestar todos os esclarecimentos necessários e se dedicam para, acima de tudo, preservar os alunos e conceder segurança no relacionamento com os pais e prestadores de serviços envolvidos com a instituição”, diz a nota.

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