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Geral

Diretora de escola particular é indiciada pelo crime de tortura-castigo contra alunos

De acordo com delegados, vídeos mostram diretora agredindo e chacoalhando crianças

26 abril 2019 - 13h36Por G1/PR

A diretora e proprietária da Cimdy Educação Infantil, de Curitiba, foi indiciada nesta sexta-feira (26) pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) da Polícia Civil do Paraná pelo crime de tortura-castigo contra alunos da escola.

Segundo a Polícia Civil, vídeos da rede interna de monitoramento da escola mostram Jussara Pazim, de 64 anos, chacoalhando e agredindo crianças. De acordo com os delegados que investigaram o caso, José Barreto e Ellen Victer, a diretora praticava "diversas formas de agressão física e psicológica".

Os vídeos analisados pela polícia foram entregues por funcionários da escola. Em um deles, a diretora aparece com duas crianças pequenas. As duas foram levadas à sala da professora porque uma mordeu a outra. Jussara aparece chacoalhando e empurrando a cabeça de uma das crianças, enquanto passa uma pomada na outra.

"São atos de violência totalmente incompatíveis com crianças daquela idade" afirmou o delegado Barreto. A escola, que foi fechada ao longo da investigação, tinha alunos entre 1 e 6 anos.

A defesa de Jussara afirmou que ela não praticou nenhum crime, especialmente o crime de tortura que foi imputado pela polícia. Confira abaixo a íntegra do posicionamento da escola.

Além das imagens, o indiciamento também foi pedido com base nos depoimentos de alunos e ex-alunos da escola. De acordo com o Nucria, 54 pessoas foram ouvidas pela polícia ao longo do inquérito, aberto no dia 1º de abril, entre elas 19 crianças e ex-estudantes que relataram ter sido vítimas de agressões.

"Também foi verificado que na hora de alimentar os alunos, ela forçava as crianças a comer. Elas vomitavam e ela forçava a comer a comida junto com o vômito", afirmou a delegada Ellen Victer.

Os delegados do Nucria, Ellen Victer e José Barreto, afirmaram que diretora foi indiciada após análise de vídeos que mostravam agressões às crianças. — Foto: Reprodução/RPC

Investigação

De acordo com o delegado José Barreto, os arquivos completos do circuito interno de câmeras estão sendo periciados pelo Instituto de Criminalística, mas os laudos ainda não foram concluídos.

Segundo a polícia, Jussara Pazim é proprietária da escola desde 1997 e até ex-alunos que hoje são adultos procuraram o Nucria para relatar as agressões.

Os detalhes dos depoimentos das crianças não foram divulgados por que são feitos para psicológicos e os conteúdos são sigilosos. A escola tinha cerca de 150 alunos.

De acordo com a polícia, Jussara foi até a delegacia voluntariamente para prestar depoimento durante as investigações e negou que tenha cometido qualquer crime.

O inquérito foi concluído e entregue ao Ministério Público do Paraná.

O que diz a escola

Confira na íntegra a nota da escola:

"Nota de esclarecimento.

A escola Cimdy tem um histórico de mais de duas décadas comprometida com a educação e a formação de centenas de indivíduos.

O respeito e a confiança sempre pautaram a relação entre instituição, pais e alunos. Uma condição validada por alunos, ex-alunos e pessoas que se envolveram com a instituição de ensino em todos esses anos.

A denúncia não define a conduta e a atuação da escola, a qualidade de seu histórico, nem a credibilidade de toda a equipe de profissionais que nela ou com ela trabalham.

Os responsáveis pela escola estão à disposição das autoridades públicas para prestar todos os esclarecimentos necessários e se dedicam para, acima de tudo, preservar os alunos e conceder segurança no relacionamento com os pais e prestadores de serviços envolvidos com a instituição.

Cimdy Educação Infantil."