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RETROSPECTIVA 2018

Em 2018, Mayara viveu em homenagens, mas não recebeu a Justiça dos homens

Musicista brutalmente assassinada segue como símbolo da luta contra feminicídio, enquanto autor confesso segue sem pena determinada

28 dezembro 2018 - 15h15Por Amanda Amaral

Um ano e meio se passou sem Mayara Amaral tocar seu violão, estar na companhia de amigos, da família. No dia 25 de julho de 2017, a jovem que então tinha 27 anos, teve a vida tirada com crueldade, em crime que ressoa até hoje muito além de quem a conheceu pessoalmente. Contudo, até hoje, seu assassino não foi julgado.

Sua história é relembrada com ternura dos artistas, da compaixão de quem se chocou com a forma de sua morte, da exaustão de quem tem esperanças pelo fim da impunidade. Em homenagens de todo tipo, a musicista vive e se mantém como grande símbolo da luta contra o feminicídio. 

(Imagem: Revista Cláudia/Editora Abril)

Em 2018, seu legado foi celebrado em diversos momentos. Mayara foi a homenageada no Festival de Inverno de Bonito, com a presença da família. Sua irmã foi capa da revista Cláudia, no mês que comemora o Dia Internacional da Mulher. A Universidade Federal de Goiânia (UFG) realizou concerto em sua memória e foi tema de peças inéditas.

Justiça

O julgamento de Luís Alberto Bastos, assassino confesso de Mayara, foi adiado por duas vezes durante o ano, enquanto ele segue preso na Penitenciária de Segurança Máxima, em Campo Grande. A data para a definição de sua pena ainda não foi marcada, mas deve ocorrer em 2019.

O autor é acusado de homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel, com recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. Ele também será julgado pelos crimes de furto, ocultação e destruição de cadáver, com emprego de fogo. Anderson Sanches Pereira, outro envolvido, será julgado pelo crime de receptação.

Sua defesa foi quem, através de recurso contra as qualificadoras, conseguiu adiar o julgamento. O advogado Conrado de Souza Passos pede absolvição de furto, o afastamento das quatro qualificadoras, além da absolvição do crime de ocultação de cadáver.

Ainda, o defensor tenta alegar que o autor não tem plena sanidade, com laudos de testes realizados em agosto. Contudo, a perícia no teste pontuou que Luís é plenamente orientado da realidade, demonstrando ter consciência de seus atos.

Crime

Mayara foi morta a golpes de martelo, desferidos por Luís. O autor colocou o corpo da jovem no porta-malas do carro e seguiu para casa. No local, ele disse que usou mais drogas e, então, levou-a até a região conhecida como ‘Inferninho’, e colocou fogo no cadáver.

Depois, Luís vendeu o carro para Anderson Sanches Pereira. Bastos confessou que usou o celular da vítima para tentar despistar a autoria do crime.

Em depoimento sobre o caso, a mãe de Mayara Amaral relatou que a filha estava morando na Capital havia três meses na época do crime, teria iniciado relacionamento com Luís e, apesar de apegada ao rapaz, tinha intenção de pôr fim na relação. A musicista tinha voltado do mestrado em Goiânia e, uma semana após ser morta, iria para São Paulo começar o doutorado.

Para a polícia, a intenção do autor, dependente químico, era roubar o carro da vítima para vendê-lo. Luís permanece preso desde o dia seguinte ao crime.