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Em Campo Grande, coordenador da Lava-Jato fala de corrupção e desconversa sobre supersalários

Deltan Dallagnol revela expectativas sobre os efeitos da operação nas eleições de 2018

10 agosto 2018 - 17h41Por Amanda Amaral

Procurador da República e Coordenador da Força Tarefa do caso Lava Jato, Deltan Dallagnol está em Campo Grande para ministrar a palestra ‘Corrupção, Lava Jato e Eleições 2018’ nesta sexta-feira (10). Antes, conversou com a imprensa e deu suas impressões a respeito da corrupção e os efeitos de investigações em ano eleitoral, e desconversou sobre a aprovação de supersalário de ministros do Supremo.

Sobre os aspectos da eleição, pontuou que há dois efeitos principais pós-Lava Jato, em que o eleitor pode escolher melhor seu representante, desistindo de votar em corruptos, ou apenas carimbar políticos. Nesse sentido, eleitores acabam escolhendo outros critérios para definir o candidato, que não a prática ou não de corrupção.

“Temos receio que aconteça efeito rebote, desmoralizando as investigações, com denúncias nunca comprovadas, como aconteceu contra Operação Mãos Limpas, na Itália. O uso demasiado de prisões preventivas para obter confissões, vazamentos seletivos, etc., fizeram com que a sociedade tivesse pé atrás contra a Operação, e o sistema politico contra-atacou com rolo compressor, passando por cima e aprovando série de leis a favor da corrupção”, classificou o procurador.

Salienta que o jovem tem papel importante nas eleições, ainda que não se vejam nem como parte responsável nem como solução da corrupção. “[...] Começam até mesmo a compartilhar de ideias autoritárias, tentativas de sair do país. Agora, precisamos perceber que não tem atalho. Mais participação da sociedade, fazermos nossa parte e nesse contexto, voto é fundamental”.

Questionado sobre a corrupção dentro do próprio Ministério Público, afirma que a solução é retirar as ‘maçãs podres’. “Procuradores são concursados e isso não afasta possibilidade de corrupção. Se quisermos reduzir índices não basta retirar as maçãs podres, e sim mudar as condições que favorecem as condições de corrupção no Brasil”, citando então a criação das Medidas Contra a Corrupção.

Por fim, em relação aos ‘supersalários’ recém-aprovados a ministros do Supremo Tribunal Federal, se absteve. Atualmente em R$ 33,7 mil, salário serve de base para magistrados de todo o país e poderá ultrapassar R$ 39 mil. Na onda, o MPF também acompanhou o entendimento.

“É uma decisão de outro âmbito tomada por ordem superiores, não tem relação no combate a corrupção, então não comentaria”, finalizou.