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sábado, 24 de julho de 2021
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Geral

Homem é chamado de "negro safado" e "viadinho" e espancado por trio

Ignorando os xingamentos, ele continuou seu caminho, mas depois de uns metros decidiu confrontá-los, porque estavam assustando o cachorro

06 outubro 2020 - 14h26Por Nathalia Pelzl

O publicitário Robson Gael, 33 anos, foi agredido por três homens desconhecidos enquanto passeava com seu cachorro na rua Martins Fontes, na Consolação, no centro de São Paulo.

O fato ocorreu no domingo (4), mas nesta terça-feira (6), Robson conversou com a imprensa. O publicitário contou que estava andando quando os homens passaram por ele e começaram a ofendê-lo chamando-o de "negro safado" e "viadinho".

Ignorando os xingamentos, ele continuou seu caminho, mas depois de uns metros decidiu confrontá-los, porque estavam assustando o cachorro.

Foi quando um deles começou a agredi-lo.  Momentos depois, os outros dois homens chegaram por trás e também atacaram Robson.

Policiais da GCM (Guarda Civil Municipal) chegaram e abordaram os três agressores, levando todos os envolvidos para o 78º DP (Jardins).

No local foi lavrado um termo circunstanciado, que não caracteriza o crime como racismo ou homofobia, mesmo depois de Robson ter dado seu depoimento informando o teor das ofensas e de uma testemunha ter confirmado o caso, segundo o Portal R7.

"Fiquei muito chateado porque era uma delegacia nos Jardins onde o delegado branco não sente a dor do que é ser esculachado na rua pelo simples fato de que um cara acordou e quis te bater", conta Robson. 

Nesta segunda (5), Robson divulgou em suas redes sociais um vídeo contando sua versão sobre os fatos. Nas imagens, ele mostra os hematomas que ficaram em sua boca após as agressões. 

"Na delegacia o que mais me incomodava era que eu parecia ser o agressor. Eu que estava envergonhado, eu que estava dentro de uma sala meio escondido enquanto eles desfilavam na delegacia, fumavam do lado de fora como se nada tivesse acontecido", conta o publicitário. 

Robson lembra que na saída da delegacia cada um foi para o seu lado, mas que, ao chegar na esquina, o grupo passou olhando para um bar como se tivessem acabado de sair de uma balada e estivessem procurando outra. "Aquilo me deixou muito mal, eu estava sangrando, machucado indo para a minha casa esperando que a impunidade não reinasse mais uma vez", lamenta.