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Inflação ainda mostra resistência, avalia Copom

Inflação

17 outubro 2013 - 11h34Por Valor Econômico

O Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a expressar sua preocupação com as expectativas de inflação, mas deixou de apontar “piora” na percepção dos agentes financeiros, como fez na reunião de agosto. A informação consta da ata divulgada nesta quinta-feira referente ao encontro realizado na semana passada.

De qualquer forma, o colegiado aponta que a inflação ainda mostra resistência e reafirma, pela terceira ata consecutiva, que “entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”. Os ajustes mínimos no documento, em relação à ata da reunião de agosto, sinalizam uma possível continuidade do ritmo de aperto monetário em 0,5 ponto percentual na reunião de novembro.

O BC destaca que a demanda doméstica deve ser robusta, especialmente o consumo das famílias, devido ao crescimento da renda e a um aumento moderado do crédito. Isso, junto com a retomada dos investimentos, deve contribuir para que o ritmo da atividade econômica brasileira seja mais intenso neste ano e em 2014 e, dessa forma, pode pressionar os preços. No lado do crédito, porém, o colegiado mantém a projeção de trabalho de expansão moderada do crédito e diz considerar oportunas as iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio dessas operações.

Ao descrever o cenário para a demanda da atividade doméstica, o Copom cita uma provável melhora das exportações ligada ao ambiente externo mais favorável. “No que se refere ao componente externo da demanda agregada, o cenário central antecipa trajetória mais benigna do que a registrada em anos recentes”, diz o documento atual. Tal referência não exista na ata de agosto.

O Copom alerta ainda para um risco significativo "na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação". A estreita margem de ociosidade do mercado de trabalho continua sendo vista como fonte de pressão inflacionária de custo.

No curto prazo, o comitê nota que a valorização do dólar ante o real é uma fonte de pressão inflacionária, mas que a adequada condução da política monetária "pode e deve limitar os efeitos secundários" do dólar mais caro sobre a inflação. Deslocando-se para o quadro externo, o colegiado observa um ambiente complexo, com a continuidade de riscos elevados para a estabilidade financeira global. Deixou, contudo, de apontar uma “tendência de apreciação” da moeda americana. Agora, o BC reconhece que “desde a última reunião, houve certo arrefecimento nas tensões e na volatilidade que então se observavam nos mercados de moeda”.

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