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Papai Noel usa libras para se comunicar com crianças surdas

Mecânico de manutenção aposentado, José Mário Graciano atua como Bom Velhinho há 13 anos e decidiu aprender linguagem de sinais para atender crianças surdas

02 dezembro 2018 - 12h50Por G1

O mercado de trabalho para os Papais Noéis tem demanda intensa no fim do ano e, assim como outras profissões, exige que os trabalhadores se mantenham atualizados. Para o aposentado José Mário Graciano, que atua como Bom Velhinho em um shopping de São José dos Campos (SP), a preocupação vai além de entender qual o brinquedo da moda: há cerca de quatro anos ele aprendeu a língua brasileira de sinais (libras) e vem conseguindo aprimorar a habilidade para conversar e entender crianças surdas.

Ele, que tem 69 anos e 13 deles como Bom Velhinho, conta que o interesse surgiu no Natal de 2014, após o encontro com duas gêmeas.

"Chegaram para falar comigo duas gêmeas. Elas sorriram e eu sorri de volta. Aí o pai fez um gesto explicando que eram surdas. Fiz um movimento com o braço cruzando no peito, que significa abraço, mas foi no instinto, nem sabia que isso significava alguma coisa na linguagem de sinais. No ano seguinte fui fazer um curso de libras", conta.

Já com mais prática e conhecimento de libras, ele conta que passou a entender melhor as crianças surdas que atendia.

"Atendi um garoto e consegui entender que ele queria um relógio e uma máscara do [personagem] Ben 10. Para o relógio ele apontou para o pulso. Fez a letra 'B', que são quatro dedos apontados para cima e fez os números um e zero. Para explicar a máscara ele passava a mão sobre o rosto. Papai Noel tem que estar ligado nos personagens também", explica.

História

Além da parte profissional, Graziano foi criado sem mãe e tem um irmão cadeirante, de quem sempre cuidou. Hoje, casado há 47 anos, pai de duas filhas e avô de três netos, ele conta que a experiência de vida ajudou ele a se tornar um Noel com foco em inclusão. Ele explica que segue estudando a linguagem de sinais para aperfeiçoar a fluência.

"Eu sempre me preocupei em cuidar das pessoas. Continuo aprendendo. Uma vez um rapaz queria um jogo de fliperama e simulamos um jogo ali no meio do shopping. Para quem é surdo, 80% é por expressão facial e corporal. Ajuda muito", disse.