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Pássaros de papel confeccionados presídio levam mensagem de amor e esperança a crianças internadas

7 OUT 2016
Agepen
18h55min
Foto: Assessoria

Um gesto simples de amor ao próximo ajudou a reeducandas do Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” (EPFIIZ), na Capital, a voltarem a sonhar e a buscar um novo sentido para a vida. As detentas participaram do projeto ‘1000 Tsurus Por 1 Desejo’, que busca levar mensagens de amor, paz, esperança e boa sorte a crianças doentes, por meio de pássaros de dobraduras de papel, tradicionais da cultura japonesa. A entrega das peças  à organização do projeto foi realizada nesta sexta-feira (7).

A iniciativa na unidade prisional fez parte de uma parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a coordenação do projeto, “com o objetivo de inserir a massa carcerária nessa ação do bem”, conforme explica o diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia. “Representa uma ocupação produtiva, agregada a valores humanos, que influenciam positivamente cada uma delas”, afirma.

img_6537Segundo a organizadora da ação, Ligia Oizumi, as mil unidades confeccionadas no presídio serão somadas a outros nove mil tsurus que foram feitos em diferentes ações sociais em vários pontos de Campo Grande e entregues a crianças em hospitais da cidade, durante as comemorações do dia 12 de outubro. Também serão distribuídos em outros municípios do Estado e encaminhados à cidade de Hiroshima, no Japão. “Agradeço a vocês pelo empenho, pelo exemplo em se dedicar às essas crianças, se cada um fizesse a sua parte, como vocês fizeram neste projeto, com certeza teríamos um mundo muito melhor”, agradeceu Ligia.

Das mil dobraduras confeccionadas na unidade – sob a coordenação da chefe do setor de trabalho do EPFIIZ, agente Michele Aparecida Fruhauf – 800 delas tiveram a participação de três reeducandas, que descobriram na arte de se doar por uma causa boa, são elas: Zilda Heloísa Gaiser da Silva, 19 anos; Adelaine de Araújo Tenório Silva e Lana Sumaia Mendes Portilho, ambas com 22 anos.

A custodiada Zilda conta que aproveitou os horários vagos da escola para fazer as dobraduras. Atualmente cursando a primeira fase do ensino médio no presídio, ela revela que voltou a sonhar em ser médica pediatra. “Enquanto eu dobrava os papéis pensava nas coisas que poderia ter feito, nos meus sonhos. Meu objetivo agora é dar um passo de cada vez, vou terminar o ensino médio aqui no presídio, em dezembro do ano que vem ganharei a liberdade e vou fazer primeiramente um curso técnico de enfermagem. Vou estudar muito e tentar uma faculdade de medicina”, revela.

O sonho de uma profissão digna também é compartilhado por Adelaine, que deseja ser farmacêutica e cursa a última fase do ensino médio no EPFIIZ. Sobre a participação no projeto, garantiu que ajudou a provocar um novo ânimo, a partir da mensagem passada e pelos ensinamentos da cultura japonesa que recebeu. “Deu uma nova esperança, percebemos que os sonhos não são impossíveis, basta a gente querer e correr atrás”, disse.

Mãe de um menino de 4 anos, Lana também quer estudar, e se tornar advogada, mas a proposta do projeto e a dedicação durante várias tardes, no tempo livre da escola, a fez refletir sobre o local onde está e a distância do filho. “Me tocou muito, me trouxe paz também em saber que estarei ajudando, de alguma forma, outras crianças. É o que eu gostaria que fizessem pelo meu filho”, declarou.

Também participaram da cerimônia de entrega dos tsurus de papel o diretor de Assistência Penitenciária da Agepen, Gilson Martins, e a diretora do presídio, Mari Jane Boleti Carrilho.

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