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Produtores de Sidrolândia serão beneficiados com Banco de Sementes Crioula

14 setembro 2015 - 09h28Por Assessoria

Garantir a diversidade de alimentos e promover a autonomia dos agricultores familiares em relação às empresas que comercializam sementes. É com base nesses pilares que no município de Sidrolândia foi inaugurado, nesta sexta-feira (11), o Banco Comunitário de Sementes Crioulas Eldorado. A solenidade do evento, que aconteceu na sede do assentamento Eldorado, contou com a participação do diretor-presidente da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), Enelvo Felini.

O banco foi criado com a missão de armazenar grãos, de modo a evitar que certas culturas e espécies de plantas sejam extinguidas do meio rural. Além de promover o hábito do cultivo de sementes nativas, também conhecidas como crioulas, o que evita indiretamente o uso de sementes transgênicas dentro da agricultura familiar.

Em Sidrolândia, durante o lançamento do projeto o diretor-presidente da Agraer, Enelvo Felini, ressaltou a importância do trabalho no resgate de valores milenares de plantio. “Estimular e fomentar a produção de sementes nativas ou crioulas é também incentivar um modelo de agricultura sustentável, ecológica e de produção de alimentos mais saudáveis. O governo do Estado através tanto da Agraer como pela Sepaf [Secretaria de Estado de Produção e Agricultura Familiar] apoia iniciativas como essa”, disse.

Mais do que uma inauguração, o evento representa a concretização do sonho de centenas de agricultores que vivem nos 26 assentamentos de Sidrolândia, pois se até bem pouco tempo o Banco de Sementes não possuía um endereço próprio, o trabalho era feito apenas no campo. Agora, ele passa a ter um endereço fixo, dentro do polo da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), instalado nas dependências do assentamento Eldorado.

Assim que o projeto estiver em pleno vapor a meta é conseguir estocar até 5 toneladas de sementes que possam atender as 5.024 famílias que vivem na zona rural de Sidrolândia. E do que depender de quem já utiliza os serviços do local, como o produtor Cláudio Roberto Souza, os trabalhos do banco tendem a ser um sucesso. “No mês passado, peguei meio quilo de feijão e vim aqui devolver dois quilos. Mas o que vou deixar aqui é pouco perto do que me rendeu no plantio. Foram 16 quilos de feijão colhidos, fruto das sementes do banco. Não paguei pelas sementes, só me comprometi de devolver uma quantia”, contou.

De acordo do com o coordenador do Banco de Sementes, Glauco Rezende, os atendimentos funcionam em forma de escampo, troca, ou seja, o agricultor recebe uma determinada quantia de sementes para o plantio com o compromisso de devolver 50% a mais daquilo após a colheita. “Se ele pegar um quilo devolve dois e assim por diante. Dessa forma o banco terá sempre um excedente para oferecer aos produtores que vierem nos procurar. Se as empresas de transgênicos pararem com a produção o que será do homem do campo? Pensando nisso que o banco foi criado, para que o agricultor não perca a posse das sementes. É tudo sem valor financeiro, apenas na troca”, explicou.