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Projeto inovador vai apoiar vítimas de feminicídio em Campo Grande

18 maio 2016 - 14h27Por Anna Gomes

Com um número alarmante de registro de mortes de mulheres assassinadas em Mato Grosso do Sul, onde apenas neste ano de janeiro a abril já foram registrados 11 casos de feminicídio, um projeto inovador em todo o Brasil foi inaugurado na manhã desta quarta-feira (18), na Rua Pedro Celestino, região central de Campo Grande.

O programa denominado como NAfem (Núcleo de Atendimento às Sobreviventes e às Famílias das Vítimas de Feminicídio) vai ajudar não apenas as mulheres que sofreram tentativas de morte, mas também vai levar amparo, tratamento psicológico e de assistência social para todas as famílias das mulheres que não conseguiram sobreviver as agressões.

A subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Luciana Azambuja Roca, disse que o NAFem  vai assegurar o atendimento psicossocial às famílias das vítimas de Feminicídio e quando necessário acompanhar e encaminhar para a Rede de Atendimento. Por meio de grupos sócios terapêuticos propiciar a construção e ressignificação de vida pós-trauma aos familiares.

O núcleo também vai proporcionar conhecimento da Rede de Atendimento em Políticas Públicas, conhecer as especificidades das pessoas que serão atendidas e priorizar momentos de troca, cuidado, atenção, solidariedade e ação em conjunto com as demais Políticas Públicas de Atendimento à Mulher.

 (Luciana ressalta os números alarmantes de feminicídios no Estado. Foto: Geovanni Gomes)

Ainda conforme Luciana, os números de mulheres mortas pelos maridos, ou pelos ex- companheiros são altos em MS, os casos de óbito em apenas nesses quatro meses de 2016 já somam 11 e 14 tentativas contra essas vítimas. Na grande maioria, as mulheres sobreviventes as essas agressões não sabem que rumo tomar na vida depois de toda violência que passou.

"Algumas dependiam dos parceiros, mas aqui ela vai passar por tratamentos, onde vai melhorar sua autoestima, e perspectiva de vida. Conseguimos uma parceria com a Funtrab -Fundação do Trabalho, onde essas vítimas entram no mercado de trabalho. Para as mulheres que infelizmente não conseguiram sobreviver, percebemos que as famílias dessas vítimas também ficam muito abaladas, vamos tentar dar o apoio para quem fica", ressalta a subsecretária .

Para a representante da ONU (Organização das Nações Unidas) para mulheres Wania Pasinato, o NAFem é um projeto inédito no Brasil e também um grande avanço para dar assistência e ajudar as mulheres que sofrem com a violência, na grande maioria, dentro das próprias casas.

(Wania destaca a impostância do projeto e diz que é um grande avanço. Foto: Geovanni Gomes)

"É um avanço grande e inédito. Temos que ter essa preocupação com o olhar de gênero, mulheres morrem apenas pelo fato de serem mulheres. Precisamos investigar o feminicídio", ressalta.

A vice-governadora e ex- secretária Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast), Rose Modesto (PSDB), também participou do evento e ressalta a importância da educação desde a infância para que crimes assim, talvez deixem de acontecer no futuro.

(Rose acredita que a educação ainda é a esperança. Foto: Geovanni Gomes)

"Isso tudo é apenas um passo de mil léguas. Precisamos voltar as nossas atenções para as crianças e mulheres. Com  este projeto, acredito que vamos curar muitas feridinhas, pois quando uma mulher sofre algum tido de violência, não é apenas ela que sofre e sim toda família. Quando defendemos a cultura do amor, da paz, demonstrando que carinho é algo bonito acredito que conseguimos melhorar as coisas", explica Rose.

Feminicídio

É o assassinato cometido por razões da condição de gênero, isto é, quando o crime envolve: “violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação na condição de mulher” refletindo na qualidade de vida da família da vítima, nos aspectos sociais, econômicos, políticos e emocionais.

Em março de 2015 foi aprovada a Lei nº 13.104, que modifica o Código Penal para incluir o Feminicídio como forma de homicídio qualificado, enquadrando-o também como crime hediondo. A mudança traz novos desafios e um deles é a sensibilização dos profissionais e das instituições de segurança pública e justiça criminal para investigar, processar e julgar de forma adequada e eficaz os Feminicídios.