TCE Novembro
TJMS DEZEMBRO
Menu
sexta, 03 de dezembro de 2021 Campo Grande/MS
pmcg revia negocios
Geral

Tribunal do Júri absolve mãe que matou mecânico a machadadas por estuprar a filha

Apesar da violência sofrida, elas refizeram suas vidas e agora estão livres de qualquer sentimento de culpa

27 novembro 2018 - 17h47Por Da redação / Edição MS

Nesta terça-feira (27), sete anos, sete meses e 18 dias após o crime, Silvana Pereira de Amorin e sua filha Fernanda Aparecida Amorin dos Santos, sentaram no banco dos réus do Tribunal do Júri de Coxim, de onde saíram absolvidas pela morte do mecânico José Aparecido dos Santos.

Silvana matou o marido na noite de 9 de abril de 2011, no assentamento Vale do Taquari, depois de descobrir que ele estuprava a filha Fernanda, que era enteada da mulher. Ele também já abusava da filha que tinha com Silvana. Ao tomar conhecimento dos fatos, a mãe se armou com um machado e golpeou o marido no quintal de casa.

Ele caiu, mas estava se levantando e ameaçou matar a mulher e a enteada, foi quando Silvana deu mais um golpe, cravando o machado no rosto do mecânico. Ele já estava morto quando Fernanda deu mais um golpe, usando uma chave de roda.

A defesa de mãe e filha foi feita pelo advogado Osiel Ferreira de Souza, que contou com a assistência de seu irmão Josué Ferreira de Souza. Eles alegaram legítima defesa para Silvana e crime impossível no caso de Fernanda, pois o padrasto já estava morto quando ela desferiu o golpe.

No júri presidido pela juíza Tatiana Said, o MPE (Ministério Público Estadual), através da promotora Daniela Costa da Silva, reconheceu a legítima defesa e também pediu a absolvição de mãe e filha. Em um júri emocionante, onde as vítimas tiveram de relembrar todo sofrimento vivido, os jurados reconheceram a legítima defesa e absolveram as mulheres.

Foram abertos quatro votos, todos pela absolvição. Entretanto, Osiel deixou o tribunal com a certeza que a absolvição seria unânime, caso todos os votos tivessem sido abertos. “Deixamos o júri com a certeza de que a Justiça foi feita, mais uma vez”, ponderou o advogado.

Atualmente, Silvana e Fernanda moram em Nova Andradina. A mãe casou novamente e mora com o marido e a filha mais nova. Fernanda também está se refazendo, se casou e pretende ter filhos. Durante todo o julgamento o marido esteve ao lado da jovem, vítima do padrasto por muitos anos.

Num dos intervalos do julgamento, a juíza incentivou a denúncia por parte das mulheres que sofrem qualquer tipo de agressão. Para Tatiana, nenhuma mulher deve ter medo de denunciar a violência, seja ela psicológica ou física.