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In Memoriam

Cantor Prince é encontrado morto aos 57 anos

21 abril 2016 - 14h54Por Jornal O Globo

O cantor Prince, de 57 anos, foi encontrado morto em seu estúdio de gravação no Minnesota, nos Estados Unidos, às 9h43m (horário local) desta quinta-feira. A informação foi confirmada por Yvette Noel-Schure, assessor do músico.

Prince havia sido levado para o hospital em estado de emergência em 15 de abril. Por causa disso, seu jatinho particular teve de fazer um pouso urgente em Illinois. No dia seguinte, ele garantiu aos fãs que estava bem durante um show.

"É com profunda tristeza que eu confirmo que o lendário e icônico artista Prince Roger Nelson morreu em sua residência em Paisley Park, aos 57 anos. Não há mais detalhes sobre a causa da morte neste momento", disse a assessora do artista, Yvette Noel-Schure, à imprensa dos EUA.

Na semana passada, o cantor foi levado às pressas a um hospital de Moline, no Illinois (EUA). O problema de saúde do astro, que não foi revelado, obrigou seu avião particular a fazer um pouso de emerência na cidade quando ele voltava de Atlanta, onde havia se apresentado.

Ele cancelou duas apresentações em 7 de abril, mas preferiu manter o show de Atlanta, apesar de não estar se sentindo bem. Depois de cantar, ele embarcou no avião e teve uma "piora considerável" no que foi descrito como uma gripe. Então, o avião precisou pousar para que ele recebesse tratamento.

"Produzido, arranjado, composto e executado por Prince". A frase na ficha técnica do disco "For you" era de total arrogância para um garoto de 19 anos. Mas o que ele anunciava em 1978, em sua estreia fonográfica, era o seguinte: ali estava um contendor para James Brown, Sly Stone, Stevie Wonder, Earth, Wind & Fire ou qualquer outro titã da black music.

Com vocabulário, competência e ambição, era só uma questão de tempo para que Prince chegasse a rei. A coroação viria em seis anos, com "Purple rain", disco com o qual ele deixou de ser mais um na multidão de jovens e talentosos músicos negros americanos (em seu caso, com uma aptidão para incorporar novidades brancas, como a new wave) e foi alçado ao primeiro time do estrelato do pop. Ao lado de Michael Jackson, Madonna e Bruce Springsteen, Prince deu o tom dos anos 1980.

O assombro provocado pela chegada de canções como "When doves cry" (um estranho e sedutor eletrofunk, com gemidos extáticos, teclados digitais e guitarra hendrixiana) e "Purple rain" (outro aceno a Hendrix, na forma de uma apaixonante power-balada), só quem estava lá em 1984 pôde avaliar com precisão. Depois que Michael Jackson quebrara, com "Thriller", as barreiras que separavam o pop negro do todo pop, Prince vinha trazendo um novo componente para a festa: o sexo, a ser praticado com um fervor quase religioso. A controvérsia (por sinal, título de seu quarto LP), não assustava em nada o artista — ela o alimentava, fazia-o seguir provocando.

Disposto a não fazer o jogo da indústria, Prince entrou pela segunda metade dos anos 1980 gravando discos desafiadores que, ainda assim, eram capazes de produzir grandes sucessos, alguns dos quais não saem do repertório de seus shows. Descarada homenagem ao psicodelismo californiano dos anos 1960, o LP "Around the world in a day" (1985) trouxe "Raspberry beret". "Parade", do ano seguinte, tinha "Kiss", prova de que, se você é realmente gênio, não precisa muito mais do que uma bateria eletrônica vagabunda, uma guitarrinha e um punhado de vozes para criar um dos mais perenes sucessos das pistas de dança.


O Prince que veio ao Brasil, em 1991, era um artista no total domínio do palco, com um caminhão de hits, repertório para todos os gostos (funks, rocks, baladas soul, números gospel e jazzísticos) e disposição para muito mais, como se veria em seguida com os álbuns "Diamonds and pearls" (1991) e com aquele de 1992, que, como título, trazia apenas um impronunciável símbolo — o mesmo pelo qual, mais tarde, o cantor exigiria ser chamado (e assim, não houve outro jeito senão tratá-lo como "o artista anteriormente conhecido como Prince"). Era um round da briga com a gravadora Warner, que iria para os tribunais e resultaria em sua retirada estratégica para o mercado independente, onde poderia expressar sua exuberância com liberdade. Mas foi aí que o bicho pegou.

Ego e ressentimentos acabariam refletidos em seu primeiro lançamento de sua fase "não escravo", o álbum triplo "Emancipation", hoje lembrado, se muito, pela regravação de um velho sucesso dos Stylistics, "Betcha by golly wow". Os discos continuaram anos 1990 adentro, com pouco filtro, arte gráfica de gosto duvidoso e quase nenhum material para enfrentar a onda musical nada simpática do gangsta rap. Em meio a dificuldades para fazer os discos chegarem ao seu público e inquietações religiosas, Prince vivia ocaso parecido com o de Michael Jackson: como continuar vivendo depois de ter ido ao topo e voltado?

Lentamente, o artista foi voltando ao jogo. Em 2004, ele lançou o disco "Musicology", o primeiro a ser distribuído por uma grande gravadora desde os tempos da Warner. Bem mais conectado com os novos tempos da música (e com seu próprio passado musical), esse foi o CD que o devolveu às paradas — era, afinal, aquele Prince que todos queriam ouvir. Conciliando sua nova crença religiosa com a profanidade dos antigos sucessos, o artista foi adiante, como um nome de peso nos palcos (seu desempenho em 2007, no show de intervalo do Super Bowl, mostrou que quem é príncipe nunca perde a majestade) e um interessante artesão do disco.

Em 2011, ele cancelou a apresentação que faria no Brasil, no festival Back 2Black. Profícuo, continuou a lançar mais de um álbum por ano. Em 2014 foram dois: "Plectrumelectrum" e"Art official age". Seu álbum mais recente foi lançado no ano seguinte: "HITnRUN phase one".